Crítica: Zelig (1983)

Por Thiago Freitas

Ambientado nos anos 20 em meio ao surgimento da sociedade de massas, modismos, Woody Allen utiliza-se da psicologia de massas durante a narrativa do filme. Várias referências a Freud, o homem teme mais a solidão que a morte, narra o processo de mimetização do homem em busca de aceitação e a profunda necessidade de ser amado. É notável a densa crítica ao homem que se origina através desse processo de mimetização, um homem cujo ego está fragilizado, “por trás daquele olhar de morto-vivo, há um ser humano”.

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Todo mundo tem um pouco de Leonard Zelig, de mudar sua própria personalidade para tentar se adaptar a diferentes ambientes e situações e poder ser aceito por determinados grupos de pessoas. Woody Allen explora isso perfeitamente em um falso documentário, tão bem feito que no início você chega a acreditar que o personagem realmente existiu e que está diante de uma história verídica.

Sendo a própria concepção do filme uma grande brincadeira e se tratando de Woody Allen, humor não poderia faltar. O filme é recheado de momentos hilários, com ótimos diálogos e situações divertidíssimas.

Um dos melhores trabalhos de Woody Allen, não só pela reconstrução da época e pelas técnicas de manipulação de imagens, mas principalmente por criar um filme que inicialmente pode parecer simples, quando na verdade esconde uma grande camada de complexidade por trás de suas brilhantes ideias. É um filme delicioso de se assistir, sacadas brilhantes e profundas atuações.

Thiago
THIAGO FREITAS

 

Nota: 10/10

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