Scream The TV Série – A Série que flerta de sua metalinguagem

11261849_970590592961209_780041483631473730_n

 

 

 

 

 

Por Gabriel J. Almeida

 

Cultuado nos anos 90 a franquia Scream, vem sendo sondada pelo canal adolescente MTV faz algum tempo com a intenção de um rebot para tv. Quando o quarto filme da franquia encerrou o arco da imortalizada Sidney Prescott, o canal finalmente conseguiu o seu sinal verde para a produção, porém com algumas restrições de uso de personagens, locação, ligação parental etc. Foi uma verdadeira decepção para muitos fãs havidos por uma continuação na tv.

E foi então, que surgiu a ideia de se criar uma nova história, com uma nova narrativa, sem nenhuma preocupação com a mitologia da franquia. Assistindo ao episódio piloto de Scream para a tv, constei que todos os elementos metalinguísticos de cultura pop estão presentes, e faz jus ao clássico filme criado pela dupla Wes Craven Kevin Williamson.

11721980_1000575339962734_45805245_n

Em uma cena somente, tais características se apresentam, e de modo bem satisfatório: na sala de aula, numa conversa sobre gêneros literários, sai esta frase do professor: “o gênero gótico está em toda a TV atualmente. Tem American Horror History, Bates Motel, Hannibal…”. Na mesma conversa, Noah Foster (Jonh Carna) o garoto que será o elo entre o público e a trama, fala da impossibilidade de fazer uma série baseada em filmes de psicopatas. Filmes de psicopata passam muito rápidos, diz ele.
Genial !!

Com a premissa similar ao filme, já começa de maneira icônica, refazendo e homenageando a cena que transformou Pânico em febre mundial, só que ao invés de Drew Barrymore, tínhamos aqui Bella Thorne, novata e desconhecida, mas que fez um trabalho bem eficiente sendo deliciosamente assassinada e jogada na piscina.

11725174_1000580503295551_1732527960_o

A atmosfera é basicamente a mesma, mas o contexto é bem diferente, e Scream soube se utilizar bem das ferramentas desta geração: Facebook, Twitter, Smartphones. O mundo mudou bastante de 1996 para cá e é impossível pensar numa história que não possua esses elementos, sobretudo uma história bancada pela MTV.

Nesse primeiro episódio, os níveis de audiência na TV americana foram ótimos, e agradou ao publico adolescente e até alguns adultos. Entretanto a série ainda precisa cair no gosto popular, pois os atores são novos e ainda não se sabe até que ponto vamos conseguir sentir algo por eles. Mas não se enganem porque isso é proposital. A ideia do roteiro é ligar ao máximo os personagens para que rapidamente o público passe a se importar com eles. E sabe por quê?
A resposta é dada já perto do fim, pelo personagem Noah:

“você não pode esquecer que é uma história de terror, que alguém pode morrer a cada reviravolta. Veja. Precisa se importar se o professor parece interessado demais nas alunas. Precisa se importar se o time venceu o grande jogo. Precisa se importar se a garota inteligente perdoou o atleta idiota… Você torce por eles, você os ama… para que quando forem brutalmente assassinados… isso doa”

11720494_1000575316629403_1095945942_n

Scream sabe mais que ninguém que para a série fazer sucesso será preciso que os personagens caiam no gosto do público, que eles se importem, que torçam, e que no fim das contas deseje que alguém morra, ou que alguém sobreviva. É uma aula de roteiro dada pelos escritores da série.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: