O Abutre: A Humanidade e a mídia sendo carniceira

10255373_484134971735377_2282086471498953444_n

 

Por Lucas Giordano

Nota: 9/10

 

 

O ABUTRE veio para mostrar o quando a humanidade, e principalmente a mídia pode ser tão carniceira. Esse é o título perfeito para esse thriller do diretor iniciante Dan Gilroy. E é um ótimo ínicio de carreira para o diretor. Muitos acham O ABUTRE parecido com DRIVE, do diretor Nicolas Winding Refn, só pelos cartazes, pelo trailer, e um pouco pela pegada do filme. Mas quem assiste ao filme do Gilroy se depara com algo maior que DRIVE. O ABUTRE fala sobre moralidade, sobre o sensacionalismo, sobre até onde uma pessoa é capaz de ir para ter o que quer. Louis Bloom, personagem vivido por Jake Gyllenhaal é o sensacionalismo em pessoa. Ele é a sordidez, a fome, a obsessão. É um personagem fascinante. E o Jake vive ele com muita seriedade. Nunca ele esteve tão entregue a um papel. Ele demonstra todo o ” TOC ” do personagem ( digamos assim ), todo o desprezo do personagem pelo resto do mundo. E Dan Gilroy dá toda a liberdade para o Gyllenhaal transformar um vilão – será mesmo um vilão ? – em uma pessoa agradável; um tanto amável.


Na história do filme, Louis é um jovem obsessivo em conseguir sucesso. Ele não quer apenas um simples emprego, ao longo do filme, o nosso ABUTRE vai mostrando as garras, e mostra que seu plano para o futuro é muito mais do que pensávamos. Louis então descobre o mundo dos repórteres independentes na cidade Los Angeles. A sua missão: gravar os piores – ou talvez melhores – acidentes/crimes que acontecem na cidade, e depois, vender a gravação para a emissora de televisão que pagar mais. Não demora, e Louis começa a trabalhar sozinho no ramo. Logo seu pequeno ” negócio ” vai se expandindo: ele contrata um ajudante, e fica exclusivo de um canal americano. Então, está a premissa do filme.


A direção do Dan Gilroy é muito, muito parecida com a direção de Refn em Drive. As câmeras fechadas entre dois personagens; as tomadas escuras nas ruas de Los Angeles; as cenas aceleradas. Tudo isso é muito parecido com DRIVE, mas não deixa de ser excelente. Rene Russo, vive a diretora da emissora para quem Louis vende suas matérias, e ela está sensacional. Sua personagem é tão fria, tão meticulosa. Ela representa toda a mídia sensacionalista da América. O novato Riz Ahmed, vive o parceiro de Louis, e ele está muito bem. Ele faz aquela pessoa, que não é má, mas também faria qualquer coisa pelo o que quer.

O-Abutre
A trilha sonora do filme é sensacional, e tem uma cena em questão, que envolve uma mansão, onde a trilha está imbatível. A fotografia é bem legal, bem escura – eu gosto de filmes assim. A edição do filme é muito bem conduzida. Sinceramente, não tem nenhuma cena do filme que é má utilizada. Todas estão ali para algo, mesmo que o espectador só vá saber quando o filme acabar. E tem uma coisa também, que eu tenho visto bastante esse ano: o final na hora certa. A câmera corta no exato momento em que você diz que esse é um filmaço, e mais um pouco de tempo estragaria.

maxresdefault1

O ABUTRE é um dos melhores filmes do ano. Tem uma atuação primorosa do Jake Gyllenhaal. Um roteiro envolvente, e uma trilha arrasadora. Pena que filmes assim não vencem Oscar

 

 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: