NARCOS

Por Renato Alves

 

Gostaria de dar início a meu explanação sobre a 1ª temporada da série NARCOS – produção Netflix – esculachando, a meu ver, esse equívoco freudiano, sobre a qualidade do espanhol utilizado pelo ator Wagner Moura. Acredito, sinceramente, que é um absurdo sem tamanho. Um detalhe pequeno, se é que existe, perante a qualidade e a força da história e de todo o conjunto da obra.

Li uma entrevista onde o próprio ator diz que seu espanhol não é, obviamente, semelhante ao de um nativo. Porém, sua entrega ao personagem é o que deve nos levar ao questionamento. Como fã do ator de “Tropa de Elite” – que sempre busca trabalhos longe do padrão banal da arte – digo tranquilamente: seu personagem é Pablo Escoblar. Separada as devidas proporções, as entregas do ator aos seus personagens, me lembram o Mestre Robert De Niro no começo de carreira, de corpo e alma.

Bruno Ferrari, da época disse: “NARCOS é viciante”. Assino embaixo. Em outro comentário li que a série é sobre um colombiano. Porém, é feita para o mundo. Outra realidade inquestionável.

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Após jogarmos para fora a questão do sotaque do protagonista vamos abordar a série e dizer por que NARCOS precisa ser aplaudida de pé:

1º * Qualidade narrativa – focada, envolvente e, como disse anteriormente, viciante. Sem dúvida a maior força de NARCOS vem de seu roteiro. Abordar histórias verídicas, nunca é simples, pelo contrário. Manter a veracidade e ainda possuir preocupação com o público para os fatos dramáticos é que trazem força ao roteiro. O equilíbrio das tramas “baseadas em histórias reais” não é tão simples como alguns imaginam;

2º * Entrega do elenco – além de Wagner Moura, como Pablo Escobar, o elenco está perfeito com os personagens. Detecta-se uma força e uma firmeza em praticamente todos os atores. Destacaria Boyd Holbrook e Pedro Pascal;

3º * Fotografia – a fotografia em alguns momentos é forte, e narra à violência de forma cruel e sensível. Em outros momentos surge a pureza do povo colombiano, junto a tudo que acontecia. Ternura tirada da dor, do sensual e da insanidade;

4º * Trilha sonora e abertura – não sou conhecedor da cultura musical colombiana. Porém, a trilha fez com que me sentisse quase em Bogotá, em alguns momentos.

NARCOS não é unanimidade. Particularmente, fico feliz que não seja. Como diz meu mestre Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Além disso, cito outro comentário do Anjo Pornográfico: “A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os aplausos corrompem.

Viva Pablo Escobar. Ou melhor, viva Wagner Moura e seu portunhol tão verdadeiro. Dentro da arte.

RENATO ALVES
RENATO ALVES

 

6 comentários em “NARCOS

  • 12/09/2015 em 12:22
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    Adorei o texto diz muito sobre a série. Estou adorando.

  • 11/09/2015 em 17:05
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    Série surpreendente. Wagner Moura é muito bom.

  • 11/09/2015 em 10:39
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    Digo novamente, a Netflix fez a maior jogada ao colocar vários atores de vários países para uma série mundial, qualidade, enredo e atuações, minha nota é 9,3 e que venha a segunda temporada

  • 10/09/2015 em 12:42
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    A Série é Fantástica em todos os sentidos, e atuação de Wagner Moura é sensacional. Parabéns pelo texto.

  • 10/09/2015 em 11:55
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    Realmente mais uma belo texto, que nos leva a curiosidade de ver a série. Adoro Wagner Moura.

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