LISTA: 10 FILMES PREDILETOS, POR GABRIEL FAGUNDES – PARTE 2

Por Gabriel Fagundes

Enfim continuando a lista que, para a pessoa que vos fala, permanece como uma das mais belas e representativas quanto ao cinema:

 


5. Um Estranho no Ninho

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McMurphy, pensa poder fugir do trabalho carcerário fingindo ser louco. É então enviado a um sanatório, onde tem de aprender a lidar com a dura e triste realidade do lugar.

Uma premissa simples e talvez banal, mas o que acontece com o desenrolar do filme é surpreendente. Ao contrário das dezenas de histórias sobre hospitais psiquiátricos onde encontramos dilemas pesados regados a um drama que visa atingir o emocional coletivo, aqui vamos aos poucos nos afeiçoando aos personagens, conhecendo o local e entendendo a filosofia de vida e valores de nosso herói, com muito humor e sarcasmo. A obra transborda ironia. Por mais que McMurphy estivesse preso ali, sabíamos que jamais conseguiriam privar seu espírito da liberdade. Em uma atuação inspiradora a de Nicholson.

Vencedor do Oscar de melhor filme, diretor, ator, atriz e roteiro adaptado, Milos Forman nos entrega como mensagem a chance de vivermos nossa vida de acordo como ela deve ser de fato vivida, do nosso jeito, sem deixarmos que nos digam o que é o certo ou o errado, questões particulares, criadas pelo homem para privar o livre arbítrio e criar padrões compatíveis com a sociedade. Viva, imagine, seja, porque afinal, estamos num mundo onde somos nossa própria prisão.

 


4. Cidadão Kane

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Levemente baseada na vida do magnata nas comunicações William Randolph Hearst, somos apresentados a Charles Foster Kane, um filantropo que construiu um império a partir do nada.

Desde o início da produção percebemos a revolução da estética de cinema que Welles traria para o mundo, numa belíssima cena onde trilha sonora, iluminação e uma câmera que mais parece viva, sincronizam-se para vermos os sonhos de nosso protagonista serem despedaçados, fragilmente, como uma bola de cristal se partindo ao tocar o chão. Logo após esse aterrorizante prólogo, somos conduzidos por um jornalista pelos meandros da vida do enigmático homem que teve como sua última palavra dita, o termo ROSEBUD, motivo também que nos traz a tona todo a história e contexto no qual Kane estava inserido.

Kane, é tirado dos pais logo quando criança, com um futuro planejado irrigado a riquezas, sucesso e influências, o uma vez menino nunca é questionado quanto as suas vontades e prazeres de berço. Assim a narrativa segue. Vamos diluindo a poderosíssima imagem Welles na pele de Kane para um ser primitivo, dono dos maiores jornais e periódicos de comunicação em massa, entretanto, incomunicável, perdido meio aos seus bens e sem um propósito real para a vida. Nosso protagonista compra o mundo para tentar alcançar o coração das pessoas. É o maior retrato de como somos produtos do meio, entorpecidos pelos paradigmas impostos por aqueles ditadores que levam uma vida miserável e sem amor.

Retomando a esfera que dá inicio a produção, ROSEBUD foi tudo aquilo que Kane teve, ou tudo que não teve, ROSEBUD foram seus melhores anos à espera de seus melhores anos, ROSEBUD é o silêncio ensurdecedor de uma sala com mais de milhões de objetos de valor sem ter ninguém para compartilhá-los, ROSEBUD foram os divórcios com suas duas esposas…

Ou ROSEBUD foi um tempo, tão distante e ao mesmo tempo perto, que é lamentável o infeliz e trágico destino do personagem título.

 


3. 3 Idiotas

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3 Idiotas é uma viagem através do tempo e da história de Rancho, o idiota que, com seu jeito único mudou completamente a vida dos outros dois; o amigo que os inspirou a pensar com criatividade e independência, mesmo quando o resto do mundo os tinha virado as costas. Mas onde estaria o primeiro dos idiotas agora? Quem seria ele? Por que ele partiu? Para onde ele foi?

É o filme mais feliz já criado, o mais motivador, belo e autêntico. A Índia precisa urgentemente ter seu cinema descoberto, não só as produções de Bollywood, mas as autorais e também os dramas, sempre carregados de mensagens positivas sobre amizade e perseverança. O exemplar Indiano aqui em questão por exemplo, além de falar do poder ilimitado da amizade e como ela nos é essencial para a vida, dita muito sobre o excesso de pressão dos jovens hoje em dia, do autoritarismo dos pais quanto a profissão que os filhos devem exercer, da situação econômica e social que a Índia se encontra, da necessidade de fazer dinheiro pra sobreviver e de mais uma tonelada de dilemas que com certeza um dia enfrentaremos em fases de transição.

Fora as paisagens, temos musicais inspiradíssimos, atores competentes e muito felizes com seus papéis, um clima sempre revitalizante e a mais bela imagem do poder que amigo tem na vida do outro, é de arrancar lágrimas até de pedra. No mínimo obrigatório pra qualquer um que queira se emocionar com uma história cheia de reviravoltas e que vai te fazer rir e chorar de alegria.

 


2. 2001: Uma Odisseia no Espaço

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Dizem que Kubrick foi o diretor mais genial e frio, o mais completo também. Essas são apenas algumas das referências acerca da mente por trás do filme mais complexo e indecifrável já feito.

Desde a pré-história, um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização, interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito. A partir dessa premissa começa o que viria a ser o filme mais revolucionário do cinema, com efeitos especias a anos-luz dos até ali existentes e narrativa que dá enormes saltos no tempo. 2001, chega como um divisor de águas para as superproduções e expoente para o gênero da ficção científica.

É o primeiro filme que consegue a proeza de abraçar uma dezena de questões existências importantíssimas para a raça humana sem soar pretensioso. É o homem contra a máquina, o homem contra o futuro, o futuro contra o tempo, o limite contra o infinito. 2001 é sobre a vida, sobre o vazio do homem moderno, sobre a teoria da evolução, sobre o lugar que viemos e sobre o lugar pra onde vamos, é sobre tudo. Uma viagem só de ida até o fim.

Os últimos minutos da produção, mesmo depois de quase 50 anos, são um enigma para todos. Há diversas teorias e representações. Artistas, historiadores, professores, filósofos, psicólogos e uma infinidade de mestres em suas áreas já tentaram reproduzir o que realmente Kubrick queria nos mostrar com o final de sua obra-prima, todos em vão. Talvez porque ele no fundo, também queria saber o que foi e um dia será tudo aquilo.

 


1. Oldboy

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A magnitude da obra que se encontra na primeira posição desse ranking particular de filmes é sem sombra de dúvidas imensurável. Oldboy é o filme mais surpreendente, visceral, violento, poderoso, belo e incômodo com que me deparei durante esses anos de amor pelo cinema.

A trama, acompanhada de vários monólogos que denotam isso, se dá por pequenos detalhes. Seguimos os passos de Oh-Daesu, um homem comum que acaba de ser liberado do departamento polícia por estar embriagado, ser sequestrado sem nenhum motivo aparente e levado para um cômodo onde viverá pelos próximos quinze anos. Deixando uma filha e esposa para trás, o analisamos como um experimento, assim vamos assistindo as condições deteriorantes da figura e suas várias indagações sobre quem o teria prendido e por quê? Como resposta, nosso personagem começa a escrever num caderno todos os nomes das pessoas que até ali ele teria feito mal, procurando um sentido para tudo aquilo. O problema é que apenas um caderno não seria o suficiente.

Oldboy é sobre vingança, acima de tudo. Após liberto, seguimos os passos de Oh-Daesu e de sua acompanhante pelas provações e verdades mais extremas. O sentimento de amor é posto à toda prova e com esse filme ganha uma postura terrivelmente assustadora. A produção, segunda da trilogia da vingança do diretor Chan-wook Park, se tornou um ícone da cultura pop, ganhando diversos prêmios pelos festivais que passara e o grande prêmio do júri em Cannes.

“Seja grão de areia, seja pedra, na água ambos afundam”; “ria e o mundo rirá com você, chore e chorará sozinho”; “mesmo eu sendo um animal, não tenho o direito de viver?”. Esses monólogos, acompanhados de suas respectivas cenas, nos convidam a reflexão sobre a ética moral e social que nos são feitas engolir desde muito novos. Um marco para o cinema Coreano, onde vemos a expressão mais pura e verdadeira de amor por um viés incômodo que gera polêmica por quaisquer dos prismas a se analisar. É um passeio sobre as condições mais extremas do homem e suas atitudes em razão delas. Oldboy tem o desfecho mais grandioso da história da sétima arte, quebrando a nossa linha imaginária que divide razão de emoção e indo contra tudo já estabelecido desde os primórdios da sociedade moderna.

 


Com isso chegamos ao fim. Algumas das produções em questão foram readaptadas ou ganharam produções que se assemelham, então é preciso deixar claro que não, não estou falando delas, mas das obras originais. Para quem leu até aqui, obrigado e até a próxima.

 

2 comentários em “LISTA: 10 FILMES PREDILETOS, POR GABRIEL FAGUNDES – PARTE 2

  • 10/09/2015 em 06:40
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    Obrigado, William!

  • 10/09/2015 em 05:10
    Permalink

    Oldboy é incrível! Boa lista 🙂

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