Ela: O Romance científico da Vida Moderna

Por William Matos

 

Entre tantas histórias de amor que vemos nas telas do cinema nos últimos anos, Ela (2013), talvez seja um dos contos mais diferentes e comoventes já feitos. Muito bem trabalhada em todos os pontos, a história percorre pelos mesmos caminhos de qualquer relacionamento entre duas pessoas, como uma boa dose ciúme, uma paixão encantadora, afeição por gostos pessoais, entre outras coisas já vistas e revividas em longas cinematográficos que falam sobre contos românticos. Mas o que difere neste relacionamento é a interpretação da interação do homem com a sua tecnologia, algo que assusta e que te atrai em todo o complemento do filme.

Ambientada em um futuro um pouco distante, mas não tão longe de nossa realidade, a trama traz o personagem de Theodore (Joaquin Phoenix), que trabalha em uma empresa que escreve cartas para pessoas que não sabem expressar seus sentimentos. Um cara introvertido e moderno, mas com uma vida um pouco monótona depois da sua separação com sua ex-esposa, em que na maior parte do tempo em sua casa, fica entre jogar em seu videogame e checar os seus e-mails. Solitário, ele compra um novo software de computador (OS), altamente inteligente e que se adapta e evolui conforme a sua interação com os seus clientes.

Ela
Ela

O sistema operacional, que se alto denomina Samantha (Scarlet Johansson), acaba tento uma ótima relação com Theodore, fazendo com que os dois se tornem mais próximos a cada dia. Parte dessa união se dá ao fato de Samantha ser muito inteligente, atraente e que desenvolve o seu aprendizado em uma escala muito avançada, facilitando assim um melhor envolvimento com Theodoro. Porém, com o passar do tempo, os dois começam a tornar à sua relação em algo mais intimo, fazendo parecer algo estranho para ambos no começo. Samantha descobre novos recursos em seus sistemas, e as descobertas de tais sentimentos acabam deixando-a confusa, mas animada. Por outro lado, Theo, experimenta um meio de recomeçar, deixando para trás o seu termino e se aventurando em um novo desejo. Os dois se permitem em viver uma relação, que inicialmente parece ser estranha, mas fazem dela algo certo e natural, simplesmente normal em sua volta, não dando tanto valor se um é um humano e o outro não, mas mesmo em torno a tantas emoções, os problemas e conflitos desse amor aparecem e dão outros rumos ao romance.

No filme, em todo momento, faz o espectador se sentir totalmente envolvido, e as atuações dos atores transborda ternura e sensualidade. Joaquim Phoenix incorpora total seu personagem, mostrando que o homem moderno pode liberar seus sentimentos e torná-lo em um cara bem disposto a viver aquilo em que ele acredita no que é correto para o seu coração. Enquanto que Scarlet Johansson consegue criar a sua forma física apenas com a textura de sua voz. E nossa, que voz mais arrebatadora, impossível é não sentir a sensualidade exalada pela rouquidão em suas falas, deixando o frágil Theodoro ou qualquer outro apaixonado, ouvindo o som fascinante e sexy de suas conversas.

Há um questionamento muito presente na história, que é a interatividade da máquina com o ser humano. O interesse em se aproximar mais e mais pela tecnologia acaba tornando o homem dependente ou até refém de sua própria criação, o exemplo disso é o envolvimento dos personagens na trama, onde estar mais perto de algo tecnológico e atual, é mais precioso do que conviver em relacionamentos humanos em sua volta.

O desejo de entrega em um romance, permitir despertar seus sentimentos sobre algo e a busca em preencher o vazio existencial, caracterizam o roteiro de Spike Jonze (também produtor e diretor do longa-metragem). Ela, é um filme que consegue atrair o público de uma maneira fácil, onde qualquer pessoa pode se identificar com a trajetória narrativa da história, em prática com duas visões: a primeira, sobre aquelas pessoas que sabem como é entrar de cabeça em uma relação amorosa, que pode se tão bela e profunda como a do casal protagonista, e a segunda, a crescente importância que as pessoas dão as suas máquinas sofisticas, priorizando mais à sua tecnologia e a moderna vida digital.

 

Nota: 10/10

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