Crítica: Triângulo do Medo (2009)

Por Bruno Peralva

 

Triângulo do Medo é um filme muito parecido com a linguagem do diretor David Lynch, mas este é dirigido por Christopher Smith (Diretor do ótimo Plataforma do Medo). Mas se Plataforma do Medo é muito bom, Triângulo do Medo é excelente, pois se destaca por deixar partes dos acontecimentos no imaginário do telespectador. Podemos ver o grande salto na direção deste diretor com uma história empolgante, enigmática e cheia de reviravoltas. É daqueles filmes que você pode sempre ver de novo para ter uma nova visão ou para confirmar se o que você pensou sobre a história estava correto.

Tudo começa quando Jess (a excelente Melissa George) decide encontra seu amigo Greg e os amigos dele, Downey, Sally, Victor (Liam Hemsworth) e a amiga da Sally, Heather,para velejar. Já no começo a Jess está com um mal pressentimento sobre a viagem de iate, mas mesmo assim ela concorda em ir. Quando perguntada sobre seu filho ela diz estar na escola, mas parece não ter certeza disso.

Em alto mar de repente o vento para e logo em seguida eles recebem uma mensagem do rádio de uma mulher pedindo ajuda. Logo depois uma nuvem negra traz um súbita tempestade destruindo o Iate, mas cessa bem rápido. Todos conseguem se salvar e subir nos destroços do iate, menos a Heather que fica desaparecida.

No horizonte surge um misterioso navio e os sobreviventes embarcam nele. Dentro Jess começa a ter uma sensação de déjà vu, e começa a ver vultos. Parece que alguém os observa.

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Esse alguém é uma figura mascarada que começa a matar um a um os amigos de Jess, até restar somente ela. Começa então um embate entre Jess e o assassino, ela consegue vencê-lo e o empurra para fora do navio. Mas depois disso algo extremamente aterrador acontece. De dentro do navio Jess vê no mar os amigos dela pedindo ajuda nos destroços do iate, mas não apenas os amigos dela, ela também vê a si mesma no iate, como se tudo tivesse se repetindo.

Então tudo que aconteceu no navio se repete e Jess observa duas coisas, a primeira é que quando todos morrem os amigos delas voltam dos destroços do iate para entrar de novo no navio e a outra é que um versão dela mesma é quem está matando a todos. Com isso vários loopings são formados até que a Jess principal começa a matar seus amigos para que tudo se inicie de novo e ela possa achar uma solução para esse enigmático pesadelo.

Chega um momento que a primeira Jess é empurrada do navio por uma outra versão da Jess e acorda numa praia. Então ela consegue voltar para casa e vê uma outra versão dela na casa com o filho. Mas essa versão dela maltrata o filho dela, o Tommy. Então Jess subitamente entra com um martelo e mata essa versão.

Ela bota o corpo no porta malas e saí de carro com o filho, mas no meio do caminho há um acidente de carro e o Tommy morre. E a Jess aparece observando o ocorrido, nessa hora a textura da imagem do filme fica mais fria e um taxista vem andando em direção a ela e fala, “não há nada que essas pessoas façam que vá salvar o menino” e pergunta se ele pode levar Jess para algum lugar, ela pede pra ele levá-la a marina. No percurso ela dorme e quando chega ao local do início do filme o taxista pergunta se ela vai voltar, e ela promete que vai e tudo começa outra vez.

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Nessa hora você deve estar se perguntando o que foi isso. Bom, em primeiro lugar o expectador deve ser bem atento pois numa parte do filme um quadro é apresentado, nele há a imagem de Sísifo, da mitologia grega, e é nisso que o filme é basicamente baseado.

Sísifo foi obrigado a empurrar uma pedra pela eternidade somente para vê-la cair, isso foi um castigo por ele tentar enganar a morte. Então todos esses loopings são tentativas desenfreadas da Jess tentar salvar o filho dela, o taxista do final seria a morte e ela deveria seguir com ele, mas ao invés disso ela o engana e vai para a marina. Todos os acontecimentos são pós vida da Jess.

Claro que isso não é nem a metade do quebra-cabeça do filme, vários outros precisam da resolução de quem assiste e sempre vão restar perguntas não respondidas no maravilhoso e apavorante mundo de Triângulo do Medo e nem todos os loopings são mostrados no filme, outras são deixados a cargo da imaginação de cada um.

Triângulo do Medo é um filme que te faz pensar, é enigmático, inteligente e aterrador. Mas não como qualquer filme, o assustador é se imaginar na situação da Jess. Quando a Jess morreu? E o filho dela? O que aconteceu com a Heather? Será que ela foi a única sobrevivente do naufrágio? Muitas são as perguntas formuladas e em fóruns pela internet há várias teorias. E o diretor acerta em cheio com um filme que te faz coçar a cabeça e se perguntar o realmente aconteceu e o que acontece apenas no pós vida de Jess. Cada um pode tirar suas próprias conclusões e Triângulo do Medo é um filme que pode provar discussões sobre ele por muito tempo.

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BRUNO PERALVA

 

Nota: 9/10

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