Crítica: Quando Eu Era Vivo (2014)‏

Por Alysson Melo
 

O longa apresenta a vida de Júnior (Marat Descartes) que volta a morar com o Pai, depois que perdeu o emprego e se separou da esposa. Ao chegar na casa que um dia já foi seu lar, ele se sente um estranho e passa seus dias no sofá do velho Sênior (Antônio Fagundes) remoendo a separação, o desemprego e sonhando com a jovem inquilina Bruna (Sandy). Após achar alguns objetos que pertenciam à sua mãe, Júnior passa a querer saber tudo sobre a história da família e desenvolve uma estranha obsessão pelo passado, passando a confundir delírio e realidade.

O diretor Marco Dutra faz uma adaptação livre do livro ‘A Arte de Produzir Efeito Sem Causa’ de Lourenço Mutarelli. O diretor monta com louvor a direção do filme trazendo uma história diferente das quais estamos habituados a ver nos cinemas.

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A narrativa vai criando uma tensão aos poucos que leva muito ao suspense e ao imaginário, onde loucura e delírio estão juntos. O ator Antonio Fagundes está muito bem no papel de Sênior pai de Junior, nos trazendo uma boa atuação assim como de Marat Descartes que deu vida ao personagem de forma que em cena ele se sobressaiu e nos apresenta uma atuação digna de aplausos, a forma como ele incorporou desde as falas, trejeitos e atitudes que eram necessárias para dar um tom de realidade nas cenas. A personagem de Sandy não acrescenta muito na história, que fica mais no papel de coadjuvante entre pai e filho, no contexto levando em consideração roteiro e atuação, acredito que boa parte de trejeitos e falas vem muito da própria Sandy, ela faz bem o seu papel que é atuar e o faz de forma correta, nada muito surpreendente, talvez o fato da Bruna também ser Música e cantar no longa, tenha sido o ponto que relembramos que ali é a Sandy como ela mesma e isso talvez não fosse o ideal, mas de fato isso não atrapalha na narrativa.

O roteiro tem sim seus clichês de gênero suspense/terror americanizado para dar sustos como: poucas iluminações, objetos que se movem, barulhos pela casa. O filme instiga muito esse lado da tensão, do medo, mas definitivamente se o intuito era assustar isso foi colocado de lado deixando a loucura e possessão para outro plano e partindo mais para o drama familiar entre pai e filho, e esse foi com certeza um dos acertos.

As cenas de possessão, violências e loucuras são bem realistas e o ator Marat Descartes convence nesse aspecto. A trilha sonora é boa de se ouvir, boa parte composta por músicas instrumentais mesclando com músicas da Bruna (Sandy). Com baixo orçamento onde boa parte das cenas são feitas dentro de um apartamento, Marcos Dutra acerta na fotografia, onde a iluminação é um dos pontos altos da película, em sua escolha de por Sandy no longa, isso pode ter sido para deixar o filme mais comercial, afinal não é todo dia que vemos a cantora Sandy em um filme de suspense. Assim como Antonio Fagundes que traz toda a sua maturidade e experiência como ator, sendo esse um outro ponto forte.
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Nas cenas finais a história ganha um novo ritmo onde nada é o que aparenta ser e com um final pra lá de diferente onde prevalece o drama familiar e aceitação.

Um filme inquieto, estranho e diferente e só por fugir das comédias brasileiras já é valido dar uma conferida, filmes como esse são difíceis de se ver aqui no Brasil, mas quem sabe a partir desse, diversos diretores comecem a entrar no gênero suspense/ terror. O cinema nacional necessita de filmes assim, recomendo assistirem de cabeça e mente aberta e sem criar muitas expectativas. Por mais que possam estar curiosos com a história, descobrir assistindo é muito melhor.

ALYSSON MELO
ALYSSON MELO

 

Nota: 8/10

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