Crítica: Paixões Unidas (2015)

Por João Paulo Rodrigues

 

Quem não se sente admirado a ver um filme pelo marketing. Ir a sala de cinema por ter visto um comercial, um trailer, um banner, boca a boca e por ai vai. Até mesmo os virais também dão um tom para um projeto ser sucesso. De uma maneira surpreendente, determinadas notícias dão um tom para ver um filme. Outras bem positivas como foi a descoberta de água em Marte uma semana antes da estreia de “Perdido em Marte” de Ridley Scott. Outro exemplo porém  bem negativo é do Paixões Unidas, filme que conta os pilares da fundação da FIFA e do que ela representa hoje na sociedade.

A ideia de levar ao cinema as origens desacreditadas da organização durante uma boa parte do século passado até seu presente duvidoso é de fato a vista bem grossa, algo interessante para se contar. Porém o que deu algo bizarro para ser notado é de que o filme sai durante o escândalo massivo que abalou a Organização e até agora continuam afundando seu presidente Blatter.  Também surgiu outros pontos externos que também ajudaram o filme a ganhar uma notoriedade bizarra. A começar com a incrível arrecadação de 918 dolares em um final de semana nos Estados Unidos vindo de um orçamento de 17 milhões de Dólares. Outro fato também é da sua reprovação dos críticos americanos dentro do site Metacritic. Tenham isso em conta, o filme consegue ter uma nota menor que “A Centopéia Humana Parte III”.

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Já o filme em si, bem, é realmente catastrófico em âmbitos de cinema. Tem uma montagem bem duvidosa duramente muitas cenas. A história se passa em um jogo de futebol de terra com crianças e tem um foco em uma garota. Começa o joguinho na terra e começa os principais eventos da FIFA como suas origens humildes, a popularização da organização para organizar copas do mundo, principalmente focando Uruguai em 30, Brasil em 50, a ascendência de João Havelange ao poder e suas estratégias de ter contato com todos os países e a presidência obscura de Blatter nos últimos anos. E tudo isso com pausas nesses jogos de terra dando a entender que se não fosse a FIFA, não existia essa ampliação do esporte a todo o mundo. Se dizer que é tendencioso, bem, apenas tenham em conta que é a organização produz o filme.

A parte técnica do filme literalmente deixa a desejar. A primeira hora do filme no qual muitos eventos foram criados “digitalmente” é de corar vergonha. Mesmo com um elenco incrivelmente respeitado e fazendo o que pode, o único que foi visivelmente bem escalado e tenta fazer algo é Gerard Depardieu fazendo Jules Rimet na única cena memorável no sentido decente da palavra quando caminha sozinho para entrar no campo para entregar a Taça aos Uruguaios na copa de 50.

Se torna assustador por um lado e vendo como um cinéfilo em ser testemunha de situações tão embaraçosas, mas por outro lado, para um amante do esporte, é um filme que ajuda a compreender a corrupção dentro da organização ao ponto de perguntar para si mesmo aonde se pode ir para levar o lema da organização ao pé da letra. Um filme que em uma linguagem cinematográfica é um bola fora, mas para os amantes do futebol, provavelmente um cartão amarelo. E sim, é um dos piores projetos do ano.

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JOÃO PAULO

 

Nota: 0/10

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