Crítica: Os Miseráveis (2012)

Lucas Giordano

 

Não é sempre que uma adaptação da obra mais famosa do escritor francês Victor Hugo chega aos cinemas. Os Miseráveis já teve diversos filmes, séries, livros, etc… mas em 2012, estreou nos cinemas o musical baseado na peça da Broadway, que no próximo ano, faz 30 anos de existência. Tom Hooper – vencedor do Oscar por “O Discurso Do Rei” – dirige esse musical simplesmente emocionante. E posso afirmar: ele dirigiu com maestria. A começar pela bela decisão de não usar playback nas canções. Outra, que ele exigiu o máximo de seu elenco, fazendo – os cantar ao vivo durante uma só tomada inteira a cada cena. E isso ficou muito, mas muito emocionante.

França. Século XVIII. Jean Valjean é um ex – condenado das Galés, que após ser marginalizado pela sociedade, tem sua redenção, e se torna um homem de bem. Logo então, se vê cuidando de uma criança, a quem se apega e deve proteger, porém, tem que escapar da obsessão contínua de Javert, um inspetor de polícia que deseja recapturar Valjean a todo custo. Então aparece diversos personagens entre os dois, como a prostituta Fantine, os maldosos Thernadiers, o apaixonado Marius e a sonhadora Éponine. Ao pano de fundo, temos uma França pós – Napoleão, vivendo uma crise revolucionária. Para contar a dramática história, temos canções emocionante, conhecidas e premiadas, como ” I Dreamed a Dream “, ” One Day More ” e ” On My Own “, entre outras, muitas outras.

os-miseraveis-destaque

Vamos falar do elenco soberbo. Hugh Jackman vive o protagonista Jean Valjean, onde ele tem a melhor performance de sua carreira. Ele convence no papel, além de cantar extremamente forte, com sua vibração na voz. Amanda Seyfried vive Cosette, a criança – já crescida – que Valjean tem que cuidar, e ela está no filme apenas para implantar um romance inexistente com o personagem Maris, vivido por Eddie Redmayne, que está muito bem. Samantha Barks, que veio das peças da Broadway, está maravilhosa como Éponine, a jovem que tem uma paixão cega por Marius. Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter estão aqui para dar humor – desnecessário – e ao mesmo tempo maldade perversa como os Thernadiers. E os dois estão regulares. Aaron Tveit está perfeito como Enjolras, o líder dos revolucionários, e sim, ele merecia uma indicação ao Oscar, mesmo tendo um papel pequeno. Agora vamos ao melhor e ao pior do filme. O melhor é a atuação vencedora do Oscar de Anne Hathaway, que vive Fantine. Ela está arrasadora, principalmente quando canta ” I Dreamed a Dream “, que é sem dúvidas, a melhor cena do filme. Já a pior coisa, é Russell Crowe como Javert, que nem se esforça em tentar mesclar a canção com a atuação, e sua performance se torna monótona. Muitos dizem que ele canta muito mal, mas isso não importa, o que importa é que ele nem se quer atua no filme.

O filme é visualmente excelente. Porém, a direção de arte pecou muito em usar computação gráfica para fazer alguns cenários, e isso ficou muito ruim. A computação gráfica atrapalhou a grandeza do musical, e sua tonalidade. De resto, tudo é ótimo. A maquiagem, que também vence o Oscar, é a melhor do cinema desde “O Curioso Caso De Benjamim Button”. Os prisioneiros, as prostitutas, os mendigos, os estudantes, os policiais, a burguesia, tudo é muito bem caracterizado. Porém, enquanto Hugh Jackman, Anne Hathaway, Samantha Barks, entre outros, estão muito bem caracterizados e maquiados, alguns atores, como Amanda Seyfried, e Russell Crowe – principalmente o Russell Crowe – está horrivelmente caracterizados. O história vai se prolongando por mais de 20 anos, e o Javert de Russell Crowe está sempre com o mesmo rosto ” jovem ” e sempre com o mesmo figurino, que não convence na maioria dos personagens. A fotografia é muito boa. A câmera é muito bem conduzida pelo Tom Hooper, porém, as sequências solo de Javert, são muito mal feitas. Fora tudo relacionado ao Russell Crowe – ah como eu queria ver o Vincent Cassel como Javert – o filme é muito bom. A mixagem do som é incrível. Eles mixaram muito bem o som ao vivo, foi impressionante. Ao todo, o filme tem mais de duas horas e meia de duração, e muita gente não consegue tudo isso – ainda mais por ser um musical.

Esse é um filme ame ou deixa, onde só quem ama são os que gostam de musicais ou que já leram o livro. Mas já vi muita gente que não curtem musicais, e gostaram.

cinema-os-miseraveis-vitor-hugo-20130131-07-size-598

———————————————————————————————————————–

10255373_484134971735377_2282086471498953444_n
LUCAS GIORDANO

Nota: 6,5/10

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: