CRÍTICA: OS MENINOS QUE ENGANAVAM NAZISTAS (2017)

Por Cadu Costa

 

É sempre muito difícil falar sobre os acontecimentos do regime nazista. Qualquer obra, fictícia ou não, ao abordar o tema da barbárie que matou milhões (entre judeus, negros, homossexuais e deficientes) entende a responsabilidade envolvida.
Por muitos motivos, o assunto me comove profundamente, e ao assistir o filme Os Meninos que Enganavam Nazistas, do diretor Christian Duguay, saí de sua cabine de imprensa extenuado de emoções. Talvez por isso tenha protelado essa crítica. Explico: O Cinema é um grande mergulho no universo da narrativa. Ao assistirmos uma obra, estamos dentro deste mundo e experimentamos as sensações, sejam elas boas ou ruins. E voltar a um mundo tão vil seria uma experiência muito difícil para mim.
@DIVULGAÇÃO PARIS FILMES
Mas, talvez este também seja o mérito do filme. O diretor canadense Christian Duguay teve uma sensibilidade interessante pra alguém contador de tantas histórias. Duguay é reconhecido por diversos filmes de ação B em sua trajetória inicial e também por obras mais desafiadoras como Anna Karenina(2013). Mas, o tema nazista já apareceu em sua frente outras vezes e com relativo sucesso. Em maio de 2003, ele dirigiu a minissérie nomeada pelo Emmy, Hitler: The Rise of Evil, que foi exibida na CBC e,um de seus últimos projetos foi uma mini-série em duas partes sobre o Papa Pio XII e a ocupação de Roma pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Com tantos trabalhos interessantes, é justo dizer que Duguay fez um filme tocante, forte, impactante, centrado, jocoso e acima de tudo, muito bom. Baseado no livro autobiográfico de Joseph Joffo lançado em 1973, ‘Os Meninos Que Enganavam Nazistas’(no original, ‘Un Sac de Billes ou Um Saco de Bolinhas de Gude, brinquedo símbolo de resistência da criança judia) mostra a Segunda Guerra Mundial pelo olhar de dois irmãos cujas vidas dependem de uma viagem partindo de Paris até a Zona Livre da França, onde deveriam encontrar-se com seus pais e irmãos mais velhos.
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Mas, a leveza para contar essa viagem o transforma num road movie cativante. A cada momento, um modo diferente dos meninos enganarem os nazistas num ritmo que lembra as boas comédias europeias. A fragilidade das crianças não aparece e o visto por nós é uma genuína forma de amor ultrapassando as barreiras de ódio e brutalidade. Como o filme se baseia na própria história do autor do livro, podemos imaginar algo sendo certamente romantizado. Isso não tira o mérito de realidade do filme. Nos encantamos, choramos, lutamos e torcemos pelos dois irmãos.
Os Meninos que Enganavam Nazistas é um filme com importantes visões sobre os seres humanos já existentes na Terra. Com momentos e sentimentos devidamente bem explorados, o longa, ainda que simples, mostra o porquê de acreditarmos que os bons ainda são maioria mesmo com o mal em seu encalço. Vale a pena acreditar.
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Os Meninos que Enganavam Nazistas
(Un sac de billes) França/Canadá, 110 min. 
Elenco: Dorien Le Clech, Batyste Fleurial, Patrick Bruel, Elsa Zylberstein, Bernard Campan, Kev Adams, Christian Clavier, César Domboy, Ilian Bergala.
Direção: Christian Duguay.
Roteiro: Jonathan Allouche, Christian Duguay, Alexandra Geismar e Benoît Guichard,
Baseado na obra de Joseph Joffo.
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AUTOR DO TEXTO:
CADU COSTA
Lapa – 21 97945-0704

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