Crítica: O Último Cine Drive-in (2015)

Por Alysson Melo

 

O longa conta a história de Marlombrando vivido pelo ator Breno Nina (fazendo sua estreia nos cinemas) se vê obrigado a retornar à Brasília, sua cidade de natal, por conta da grave doença de sua mãe, Fátima (Rita Assemany). Lá, ele vai reencontrar seu pai, Almeida (Othon Bastos), proprietário do Cine Drive-in, há mais de 37 anos. Almeida insiste em continuar com  o cinema, mesmo não atraindo mais público como na década de 70. Para isso, conta com a ajuda de apenas dois funcionários: a Paula (Fernanda Rocha), que toma conta da projeção do filme e da lanchonete; e José (Chico Sant’anna), amigo de Almeida, que ajuda no atendimento e na limpeza do cinema. Com a ameaça de demolição do Cine Drive-in e o agravamento da doença de Fátima, pai e filho vão terão que reunir forças para superar as diferenças e resolver problemas do passado.

O Protagonista é um cara gente boa que ama a mãe incondicionalmente ao ponto de fazer tudo por ela ate mentir para ela mesma(afinal quem já não mentiu por amor) a história mostra como é a relação de amor entre mãe e filho e a relação desastrosa com seu pai. O roteiro foca inicialmente nos dramas dos personagens, o filho que quer cuidar da mãe mesmo impedido pela equipe médica e conviver novamente com o seu pai que até então com que pouco conviveu, será que tudo vale a pena em nome do amor? Essa é uma das grandes questões que a narrativa quer nos passar.

 

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O diretor Iberê Carvalho em seu primeira direção, trouxe uma direção ainda contida mas que no resultado final foi satisfatória, ele procurou mostrar os personagens de forma suave, crua e bem real, sabendo conduzir bem os atores aos seus personagens de maneira que pudéssemos nos cativar por eles, talvez por ser o seu primeiro trabalho como diretor Iberê ainda não tenha conseguido trazer uma direção mais forte e madura, mas o seu trabalho foi executado de forma correta e ágil, direta sem muitos rodeios e atribulações.

O roteiro resolveu partir do principio de contar uma história sobre o último cine drive-in do Brasil e nos remeteu ah muitas mudanças que ocorreram pelo Brasil que foi a fechada de muitos cinemas iguais aos mostrado no longa e também dos cinemas de rua que foram sendo substituídos por prédios ou lojas, e Hoje em dia existem pouco cinemas nas ruas a maioria dos cinemas são encontradas em shoppings center, soando como uma critica ao governo e sociedade por tirar a cultura e algo tão precioso para muitas pessoas.

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A narrativa respira cinema seja nas falas(citação de frases famosas de filmes), seja nos filmes inesquecíveis com pequenos trechos projetados em tela como (“Central do Brasil”)  e (“Targets”), nos objetos de cena como livros, jornais, revistas. A produção procurou manter bem viva a essencia do cinema para que não só os cinéfilos mas as pessoas quem curtem cinema possam se identificar com o filme, tendo o cuidado do uso de materiais que envolvessem cinema como os posters de filmes inésquecíveis (“Cinema Paradiso, “O Poderoso Chefão e “Curtindo a Vida Adoidado”) vão sendo mostrados na tela de forma bem natural e bonita como pano de fundo.

O protagonista Breno Nina consegue trazer uma boa caracterização do seu personagem mostrando muito bem os laços de com a mãe e a revolta e indignação que tem para com o pai, sua atuação é boa e convincente para o papel ao qual foi proposto dando conta do recado e levando o filme pelas costas o tempo todo, a mãe Rita Assemany faz um trabalho primoroso e de forma que podemos nos apegar a essa personagem e sentir todo o dramas, dores e conflitos pelo qual ela está passando. A atriz Fernanda Rocha nos traz uma boa passagem pelo filme com uma boa interpretação roubando praticamente todas as cenas as quais ela aparece, ela foi um bom destaque com sua personagem Paula. O ator Othon Bastos consegue trazer todo o seu talento e trabalho árduo com uma atuação forte e madura, com bastante pulso firme, o público irá se identificar com esse personagem porque ele é gente como a gente ele ama o que faz e tudo o que ele faz, é por amor a sétima arte. Bastos faz do seu papel um grande alerta para o público a ir atrás dos seus sonhos e fazer tudo em nome do amor, é impossível não se identificar com ele (como não gostar de um homem que ama o cinema incondicionalmente?).

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Com bom uso da fotografia em cenários bonitos mas simples e uma excelente inserção da trilha sonora que buscou usar musicas que trouxessem um enfoco maior sobre cinema e filmes. O uso da câmera e no foco em objetos e nos personagens deixou o longa mais belo e verdadeiro tirando aquele ar televisivo que muitos filmes brasileiros ainda possuem, aqui foram inseridas boas tomadas de forma que o visual no geral soasse bonito visualmente e agradável aos olhos do público.

A Narrativa ela mescla sobre o mundo do cinema e dramas familiares, o roteiro apesar do uso de alguns clichês conseguiu mostrar de maneira bem verdadeira a boa relação do filho com a mãe mostrando que um filho pode fazer tudo em nome do amor, assim como foi interessante a relação com o pai, mas para quem assiste não ficou muito aprofundada, talvez por conta do tempo do filme ou do roteiro, mas senti falta de um aprofundamento maior na relação entre pai e filho que deixou um pouco a desejar em alguns momentos mas que conforme o tempo vai passando isso vai sendo esquecido pelo ritmo ágil que a história se dá em seus momentos finais.

 

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Se encaminhando para o seu desfecho “O Último Cine Drive-in” nos traz um final bonito e simples de maneira bem cativante sem soar piegas ou dramalhão, acredito que a forma como finalizaram foi a melhor possível. O roteiro possui sim várias falhas, mas só o fato de falar sobre cinema e trazer uma história comovente já vale o ingresso. É um filme obrigatório e deve ser visto e apreciado por todos aqueles que amam cinema

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ALYSSON MELO

 

Nota: 8/10

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