Crítica: O Quarto do Filho (2001)

Por Gabriel Fagundes

 

Vencedor do 54º Festival de Cannes, O Quarto do Filho evoca as dores mais profundas de um pai inerte a sua condição. Sorrisos rasgados, palavras caladas e lágrimas secas, o tempo perdido jamais poderá ser reposto, dito isso acompanhamos o drama das personagens, uma vez que foram dilaceradas pelo acaso e agora procuram um motivo pra não abrirem mão do que ainda lhes resta.

O diretor, ator e roteirista do longa Nanni Moretti, já condecorado com o prêmio de melhor direção em 1993 pelo mesmo festival que o premiaria esse ano com a palma de ouro, entra dentro da casa de sua personagem principal e aos poucos vai nos apresentado sua deslocada moral. Por vezes cansado, o pai não aparece momento algum distante fisicamente dos filhos, mas tampouco parece conhecê-los. A narrativa flui e embora lenta, não se alonga e logo no final do primeiro ato apresenta a problematização que permearia a vida da pacata família Italiana.

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As indagações surgem, o sentimento ecoa, a vontade de voltar no tempo e viver tudo de novo ou transformar tudo em novo são de apertar o coração. Em determinado momento da projeção um prato com comida trinca ao ser aquecido no fogão pelo pai, mostrando para si que aquilo não tinha como ser reconstruído, uma vez quebrado. O que já foi, ficou no tempo e o que nem no tempo ficou, sequer existiu.

O engraçado e muito cruel título traz a tona uma profunda análise desse personagem principal, psicólogo, atendia seus pacientes em seu quarto, destrinchava suas vidas e procurava reconhecer as mazelas que os acometiam, se não cruel, irônico. O quarto, o filho, ambos estavam ali, numa foto, entregue por uma namorada desconhecida até então, essa cena, indubitavelmente, representa a mensagem que a obra quis até ali transmitir.

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Seja presente, conheça, desfrute, viva, ensine, esteja. Afinal, o quarto do filho é uma porta aberta para todo pai.


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GABRIEL FAGUNDES

Nota: 8/10

2 comentários em “Crítica: O Quarto do Filho (2001)

  • 10/09/2015 em 06:43
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    Valeu Goes!

  • 14/08/2015 em 15:30
    Permalink

    Análise perfeitamente completa e complexa, buscou afundo os verdadeiros motivos para se admirar o mesmo.

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