Crítica: O Expresso do Amanhã (2013)

Por João Paulo 

Um dos filmes mais “chutados” do circuito brasileiro vai ganhar sua devida estreia. O aclamado Snowpiercer – O Expresso do Amanhã (2013), ganhará sua devida exibição nos cinemas brasileiros e bizarramente, independentemente do ano que chega, o espectador estará diante a uma das melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Dirigido por Bong Joon-ho, o mesmo de clássicos atuais como “The Host” e “Memórias de um Assassino”, e com um elenco cheio de estrelas como Chris Evans, Jamie Bell, Tilda Swinton, Octavia Spencer e mais.

Adaptado pelo próprio diretor da novela gráfica francesa “O Perfuraneves”, que ganhara uma edição brasileira, conta a premissa inicial de uma sociedade atingida por um apocalipse glacial e os poucos sobreviventes embarcaram em um trem que viaja pelo mundo inteiro (no qual, a volta ao mundo representa um ano). Durante os anos, tudo que representa uma sociedade apocalíptica tem: Divisão notória de classes e nessa divisão os que estão nos últimos vagões são os pobres e os da ponta são os ricos. E Curtis (Chris Evans) planeja um ataque simples e direto, tomar o trem para buscar igualdade para os que mais sofreram. E a cada vagão que o grupo de rebeldes passam mais questionamentos sobre o homem e a sociedade aparecem.

SNOWPIERCER_1

Curiosamente, o filme marca a estreia do diretor sul-coreano no cinema americano junto com Chanwook Park que fez “Stoker” e “Kim Jee-woon, O Ultimo Desafio”. E assim como muitos filmes nos quais dependeram de suas produtoras, existiu um conflito entre o corte final e o corte dos produtores, mas por sorte, quem ganhou foi o espectador que agora em uma “larga” escala pode aproveitar o trabalho espetacular desse diretor que somente em “The Host” conseguiu criar um dos melhores filmes de terror da década passada e um dos melhores suspenses policiais baseado em um caso real que foi “Memorias de um Assassino”. E para aumentar a curiosidade, Kang Song-ho, que trabalhou nos dois filmes, está em Snowpiercer e é um dos melhores atores em cena.

Dirigido por maestria, Bong transforma essa viagem eterna pelo gelo em uma das melhores experiências sociológicas do cinema. Transformando cada vagão em um tipo de hierarquia, muitos transmitam pela calma até o puro caos. Também existem grandes momentos de ação no qual ela é uma ferramenta para a narrativa da trama e não somente um enfeite para vender como uma trama de pura ação, coisa que não acontece aqui.  Além de ser um show de interpretações, surpreende por dois pontos: O primeiro vem para a não indicação ao Oscar para Tilda Swinton que arrasa como Mason, em uma transformação que só ela sabe fazer. Não é a toa que é a segunda adaptação de HQ que ela arrebenta. Também foi a melhor coisa de longe de Constantine e provavelmente o nome mais confiável para adaptação de “Dr Estranho” nos cinemas. E o outro ponto fundamental é a interpretação brutal de Chris Evans. Sabe aquele tipo de filme que consegues desassocia um personagem do ator. Aqui, começas a dizer, esse é Chris Evans e não o cara que fez “Os Vingadores” ou “Quarteto Fantástico”. Em várias cenas, ele representa de uma maneira bem honesta, a reação do espectador. E isso é bem genial.

Snowpiercer

Talvez seja um dos melhores filmes baseado em quadrinhos depois de muito tempo. Uma viagem que realmente não se deseja seu final. Uma viagem que aspira ao espectador a questionar o que representa cada vagão e o que ela tem a dizer a todos como sociedade. Se estreia esses dias, já é candidato a um dos melhores do ano. Em ano de Vingadores, cavaleiros modernos e um trem que não para dão paginas de quadrinhos vida e inteligência.

 

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Nota: 10/10

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