Crítica: Numa Escola de Havana (2015)

Por Alysson Melo

 

O longa mostra a dura e difícil vida de Chala (Armando Valdes Freire), um garoto de apenas onze anos, mas que já tem uma vida de adulto onde ele vive com sua mãe viciada em drogas, Sonia (Yuliet Cruz). Para tirar o sustento da casa, ele treina cães de briga, com a ajuda de um homem que pode ser o seu pai biológico. As dificuldades de sua vida se refletem na escola, onde Chala o aluno de Carmela (Alina Rodriguez), por quem ele tem um grande respeito. Mas quando ela fica doente e tem que se afastar, o menino não se adapta à nova professora, que sugere que ele seja transferido para um internato. Quando Carmela retorna, não aceita essa medida e outras imposições que aconteceram durante sua ausência. Enquanto a relação entre professora e Chala se intensifica, os dois passam a ser perseguidos na escola, levando a um conflito que reflete o complexo sistema contemporâneo de Cuba.

A história que a princípio parece ser mais um filme sobre alunos e professores, o longa é bem mais do que isso, ele reflete na realidade de muitos jovens do mundo todo que já trabalham logo cedo para sustentar a casa onde vivem e esse é um dos dramas vividos pelo protagonista. Aqui vemos todo o drama vivido por ele: ter uma mãe drogada e violenta que não dá o amor e carinho que ele necessita, ter de tirar o sustento da casa com brigas entre cães onde o mesmo cuida deles para que fiquem aptos para novas brigas, mesmo tendo um apego muito forte entre eles, lidar com colegas rivais na escola que insistem em tirar o garoto do sério e suas investidas na aluna Yeni (Amaly Junco) que ele morre de amores mas a mesma não está nem ai pra ele, os seus momentos de alegria é quando está com seus amigos, jogando bola, brincando, fazendo jogos e disputas e pelo carinho que sente pela professora Carmela.

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Apesar da pouca idade o protagonista Armando Valdes, aqui sendo o seu primeiro longa-metragem onde dá um show na sua interpretação e dando conta do recado além de trazer uma excelente atuação e na composição de seu personagem por vezes dócil e gentil e outras rebelde e grosseiro, o ator soube montar muito bem a caracterização de seu personagem de forma que todos os dramas em que ele passa fossem transmitidos verdadeiramente para a tela e o público sente isso e se encanta cada vez mais pelo personagem por ele se mostrar bem real e onde muitas pessoas vão se identificar com ele, sua relação com a professora Carmela é muito bonita e emocional, porque nós vemos um sentimento ali como se fosse de avó e neto, a atriz Alina Rodrigues consegue trazer uma bom endossamento para seu personagem apresentada como uma mulher forte, destemida e firme mas que também possui seus medos, anseios e dúvidas e a devoção e carinho que ela possui por seus alunos e principalmente por Chala ultrapassa barreiras onde ela faz de tudo pelo seus alunos.

O diretor Ernesto Daranas consegue efetuar uma direção forte e madura com boas cenas e com uma grande carga dramática, onde na história se pedia isso, a caracterização dos protagonistas assim como todos os embates e ficaram bem criados e percebemos isso na tela desde ao bom roteiro até na composição dos personagens. Ernesto conseguiu trazer uma sensibilidade ao trazer uma história de amor e afeto ao mesmo tempo a difícil e cruel realidade de uma família desestruturada pelo vício.

A narrativa mostra de forma bem clara todos os conflitos dos personagens desde as mudanças de humor, as brigas, os conflitos na escola entre os alunos e professores, desigualdades sociais, os dramas do primeiro amor, rivalidade entre alunos e um confronto entre professora e instituição. O longa aborda diversos assuntos polêmicos como vícios, desigualdades sociais, trabalho infantil, violência, conflitos religiosos e cada tema é tratado de maneira bem direta e objetiva onde podemos tirar várias lições de cada assunto abordado pela história.

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O enredo é inteligente, interessante, com temas atuais e que nos diverte, emociona e que nos choca em diversos momentos. Numa Escola de Havana é filme bem maduro e que merece todo o reconhecimento que está tendo, sendo pra mim uma grande surpresa do ano de 2015. Toda a relação mostrada entre Chala e a professora Carmela é um amor incondicional onde ela faz de tudo para protege-lo porque sabe que é um bom menino e que no fundo só o que ele precisa é de uma orientação na vida e de amor, o romance juvenil é abordado de forma tão sensível e delicada, de uma forma sutil mas bonita que ficamos torcendo por um final feliz.

A grande lição do filme é que se você tem uma boa conduta você pode ser quem você quiser, porque não é um internato ou prisão que te fara ser alguém melhor, porque o que muitas pessoas precisam na vida é de oportunidade assim como Chala merece ter a sua devido a vida sofrida que teve ao lado da mãe e sem saber quem é o seu verdadeiro pai.  A história nos incentiva a ir atrás de nossos sonhos lutar e não desistir. O título original é “Conducta” que significa “conduta”, que teria mais haver com a história do que o título brasileiro, mas que esse fica sendo só um detalhe e o longa se encaminhou para o seu desfecho de forma bonita e emocional, se tornando um ótimo filme, onde recomendo a todos que deem uma chance a conhecer essa excelente história.

ALYSSON MELO
ALYSSON MELO

 

Nota: 9/10

 

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