Crítica: Nocaute (2015)

Por Lucas Giordano

 

“Para quem gosta de lutas, sejam boxe, MMA ou até luta livre, ” Nocaute “, é uma boa pedida.”
Jake Gyllenhaal, que vem do grande sucesso de sua atuação em ” O Abutre “, assume o papel do protagonista da trama, o lutador de boxe Billy Hope, um dos mais famosos da sua geração.

 

002

O filme acompanha três estágios da sua carreira: a glória, a queda e a redenção. Nos ringues, Hope é um campeão, que não se abala e não desiste de uma luta. Por mais que ele apanhe ( muito ), ele continua em pé, lutando, até vencer. Fora dos ringues, Billy vive com sua esposa Maureen, e sua filha Leila. É um relacionamento forte, bonito, encantador, entre pai, mãe e filha. Todos cercados de dinheiro, luxo, fama, inveja, falsas amizades…
Após um acidente em um evento beneficente, Billy Hope cai da sua zona de conforto, e se vê pela primeira vez sozinho, sem família, sem dinheiro, só com uma antiga glória para atormentar seus pensamentos, e um grande desejo de recuperar toda sua vida. Então ele volta ao zero, e começa a treinar com Titus Willis, um misterioso treinador que pode levar Hope às alturas novamente. Temos nosso filme, uma história de redenção, aquela bastante usada ” jornada do herói “.

 

010
Jake Gyllenhaal está monstruoso como Billy Hope. O espectador sente tudo o que o personagem está passando. Gyllenhaal se transformou completamente num lutador de boxe. É só reparar no jeito das falas e movimentos do personagem. E seu físico está avassalador. É uma beleza ver sua transformação. Rachel McAdams é Maureen, uma mulher forte, inteligente, que toma conta do marido, da filha, da casa. É uma personagem que você gosta logo na primeira cena.

 

A química entre Rachel e Jake é excelente. Nas cenas de briga, de carinho, de sexo, e sofrimento. Os dois estão em perfeita sincronia. O filme também tem um Forest Whitaker, numa atuação dramática talvez exagerada, forçada. Sem falar, o 50 Cent, completamente sem o que fazer, sendo que seu personagem é interessante, mas não é aproveitado. E destaque para a jovem Oona Laurence, que dá um show como Leila, a filha de Hope. Ela mostra uma força extrema que a personagem precisa. E tem uma cena muito forte, em que a menina estapeia o pai diversas vezes, e foi a cena mostrou o que essa garota é capaz.

 

009
A direção do filme é do Antonie Fuqua, que faz um excelente trabalho. As cenas de luta do filme, te deixa tão empolgado quanto as cenas de ” Whiplash – Em Busca da Perfeição “. O diretor usa bastante os planos-detalhes para focar nos machucados dos lutadores; e uma coisa que gostei bastante, é que o diretor não abusa da câmera lenta, e só coloca algumas vezes, essas que nos deixa muito felizes.
O roteiro do filme peca bastante. Principalmente na construção dos personagens coadjuvantes. O personagem do Forest Whitaker é completamente artificial, e nem a atuação dramática do ator convence, e o personagem se torna chato e totalmente sem carisma. As passagens de tempo no filme também são bem defeituosas, e isso complica a narrativa, mas isso é coisa da edição, já que teve um bom número de cenas cortadas. O roteiro também decepciona e entra na mesmice de construir um vilão. Não precisa de um vilão num filme desse. A construção do rival de Hope, o lutador Miguel Escobar, é extremamente péssima. O objetivo é o espectador ter raiva do personagem, porém isso soa exagerado no filme.

 

007
Vale destacar a trilha sonora muito boa. E principalmente, a cena que fecha o primeiro ato, que é o grande plot twist do filme, que resolveram por no trailer ( não entendi o porque disso, seria melhor ver na hora ), é uma das melhores cenas dos últimos anos. Muito bem trabalhada, dramática, mas sem exagerar, e extremamente forte. Muita coisa no filme é bem forte, mas essa cena em questão é se arrepiar.
Ao todo, ” Nocaute ” chama mais pela transformação corporal do Jake Gyllenhaal e pelas excelentes cenas de luta. No mais, é um filme de luta bem feito, mas que não chega a ser marcante.

 

006

———————————————————————————————————————–

10255373_484134971735377_2282086471498953444_n
LUCAS GIORDANO

Nota: 7,5/10

Um comentário em “Crítica: Nocaute (2015)

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: