CRÍTICA: MALASARTES E O DUELO COM A MORTE (2017)

Por Cadu Costa

 

“Malasartes e o Duelo com a Morte – Filme diverte e reflete clichê do brasileiro”
Uma história brasileira, com certeza. Estreou nesta semana, “Malasartes e o Duelo com a Morte” e seu maior trunfo é evocar uma temática brasileira viva desde sempre. O Brasil do caipira matuto, mas muito malandro e o famoso ‘jeitinho brasileiro’.  Desde os clássicos de Mazzaropi, que fez o seu Malasartes em 1960 (“As Aventuras de Pedro Malasartes”), passando por ‘O Auto da Compadecida’ (2000) e ‘Lisbela e o Prisioneiro’ (2003), não vemos aquela comédia com o tipo do caipira falador.
A história adaptada por Luís Alberto de Abreu (“Era O Hotel Cambridge”) e o diretor Paulo Morelli (“Zoom”) não só o traz de volta como discute o poder dos homens e até onde ele vai contra a morte. Pedro Malasartes teria surgido nos contos populares da Península Ibérica, e aprontava das suas contra nobres e cavaleiros.
@DIVULGAÇÃO DOWNTOWN FILMES
Adaptado ao nosso Brasilzão, o personagem vira o caipira do jeitinho simples (nesta versão interpretado por Jesuíta Barbosa), que se faz de bobo, mas tem um olho na missa e outro no padre. Namora a menina mais bonita do campo,  Áurea (vivida por Ísis Valverde), não tem medo de aprontar, provoca tanto o irmão de sua namorada, Próspero (Milhem Cortaz), quanto o pacífico Zé Cadinho (Augusto Madeira). Com isso, justamente a Morte (o sempre ótimo Júlio Andrade) pensa em tê-lo como substituto de tão esperto que o caipira é. Mas, sendo Malasartes tão malandro, como trazê-lo pro além?
O filme tem recebido críticas sobre como os efeitos especiais, feitos pela conceituada produtora O2 de Fernando Meirelles, acaba se sobrepondo ao roteiro. Não achei, eu vi uma comédia brasileira bem pontuada com destaque óbvio para os atores e uma trama que diverte, reflete e simpatiza.
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Tudo é muito bem produzido e a fotografia é bonita demais. Se reconhece um Brasil ali. Há, de verdade um aparato digital forte nas cenas no Além, mas coube aos atores se sobressaírem. E Júlio Andrade e queridíssima Vera Holtz deram conta do recado.
No fim, ‘Malasartes e o Duelo com a Morte’ tem a malandragem do brasileiro, cada vez mais explícita nos dias de hoje, mas caramelizada com o carisma de seu personagem, a empatia do público e certeza de termos cada vez mais material de qualidade para todos os gostos.
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MALASARTES E O DUELO COM A MORTE ‘ 
ELENCO: Jesuíta Barbosa, Ísis Valverde e Júlio Andrade.
DIREÇÃO: Paulo Morelli.
DURAÇÃO: 110 min.
NACIONALIDADE: Brasil
GÊNERO: Comédia
DISTRIBUIÇÃO: Downtown Filmes.
ESTRÉIA: 10 de Agosto.
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AUTOR DO TEXTO:
CADU COSTA
Lapa – 21 97945-0704

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