Crítica: Interestelar (2014)

Por Bruno Peralva

 

O diretor Christopher Nolan dificilmente erra em suas direções, a não ser talvez pelo filme Insônia (2002) que não foi tão bem recebido pela crítica. Mas em Interestelar seu acerto foi excepcional. Um filme com um visual incrível, com atores brilhantes e com uma história totalmente envolvente mostra que o diretor mantem sempre o nível de excelência em suas obras.

No filme, os recursos do planeta estão quase acabando, e a situação é dada como irreversível. A única opção encontrada pelos cientistas não é curar o planeta, mas sair dele. No nosso sistema solar não há planeta para a sobrevivência humana, mas a NASA descobre que em outro sistema pode haver. Mas como uma nave iria para lá?

A NASA também tem a solução para isso, pois no filme é descoberto um Buraco de Minhoca no Planeta Saturno que por teoria seria possível fazer viagem através do espaço-tempo e assim funcionaria como um atalho até a próxima galáxia.

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A partir daí o engenheiro aposentado Cooper (Matthew McConaughey), com sua filha Murphy, com quem tem uma relação muito próxima, encontra acidentalmente uma base da NASA e é recrutado para uma missão, passar junto a um grupo composto por três cientistas pelo Buraco de Minhoca e explorar a possibilidade de poder viver em outro planeta.

Mesmo com a possibilidade de não poder nunca mais ver seus filhos outra vez, Cooper aceita embarcar na missão acompanhado pelos cientistas Brand (Anne Hathaway), Doyle (Wes Bentley), e Romilly (David Gyasi).

Quando se inicia a saga pelo espaço o filme entra num outro patamar, pois se inicia a apresentação de imagens realmente impressionantes. Os acadêmicos que ajudaram a equipe gráfica a construir o Buraco de Minhoca ficaram impressionados com a perfeição que foi feito.

O filme também é carregado de muita emoção, pois Cooper recebe mensagens inicialmente de seu filho, e ele sente na pele que esta perdendo toda a vida de seus filhos aqui na terra.

Ao chegar aos planetas estranhos, as imagens são espetaculares e eles ainda encontram um sobrevivente (Matt Damon) de uma das missões da NASA. No lugar onde eles estão o tempo passa mais devagar que na terra. Uma hora lá são anos na terra, dessa forma chega um momento que Murphy (Jessica Chastain) tem a mesma idade que o pai dela. A questão do tempo no filme é realmente incrível, a abordagem é de arrepiar.

Murphy se transforma em uma cientista, trabalhando junto ao pai de Brandy, professor Brand (Michael Caine). Dado um momento na trama, ela começa a tentar entender fenômenos que ocorreram na sua infância. E o que era chamado de fantasma agora toma uma abordagem cientifica e hipotética.

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No final do filme, quando Cooper consegue finalmente encontrar a filha dele (Ellen Burstyn), ela esta muito mais velha que ele e a beira da morte. Eles não são mais próximos a essa altura, ela já tem a família dela. Mas um tem compaixão pelo outro e ela diz que nenhum pai merece ver uma filha morrer, então ele a deixa com a sua família.

Interestelar é um sonho de filme, quem assiste sente como se estivesse viajando entre mundos. E realmente está. O espetacular Christopher Nolan nos presenteia com um filme diferenciado e com uma longa duração que não se sente em momento algum. É como se 2 horas de filme parecesse 2 minutos para os expectadores de tão empolgante que é.

E não é apenas a questão física que é trabalhada, também tem a questão de como o tempo passa rápido e as pessoas não dão a devida importância ao que realmente importa. E também como o amor pode inspirar e quebrar barreiras, como Brandy disse: “talvez seja algo além do humano”.

BRUNO PERALVA
BRUNO PERALVA

 

Nota: 10/10

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