Crítica: Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte (2015)

 

Por Tom C.P.

 

Da cineasta Anne Fontaine, diretora também do ótimo “Coco Antes de Chanel” (2009), Gemma Bovery chega aos cinemas brasileiros com o subtítulo A Vida Imita a Arte. Adição desnecessária , no entanto, traduz com fidelidade o cruzamento da trama com a literatura.

O filme é baseado na graphic novel da cartunista inglesa Posy Simmonds, publicada em séries no jornal britânico The Guardian, e é recheado de referências do polêmico romance “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.

Filmes se relacionando com a literatura já são por si só agradáveis e toda a atmosfera francesa construída aqui, desde a locação belíssima e encantadora da Normandia até a trilha sonora deliciosa, dão um charme único ao longa. A direção de arte e fotografia também merecem atenção e aplausos por criarem bons momentos, que migram desde o sensual, na medida certa, até os momentos cômicos.

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A história segue Martin Joubert (Fabrice Luchini), um padeiro que vive com sua família em uma tranquila região da Normandia. Ele está preso em um relacionamento sem graça e frio, e acaba tendo uma chama de esperança reascendida em seu peito quando a atraente e jovem decoradora inglesa, Gemma Bovery (Gemma Arterton), se muda para a casa ao lado com seu marido. Gemma também estava vivendo um casamento monótono e aquela paisagem bucólica e romântica a impulsiona direto para os braços de outro homem. Enciumado e curioso, Martin passa a acompanhar as aventuras da vizinha como em um reality show e percebe uma estranha ligação da vida dela com o romance de Flaubert. É ai que o filme dialoga com a literatura.

 

Apesar de uma excelente premissa, tendo um material interessantíssimo em mãos, Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte não tem tanto sucesso justamente porque não foca no que propõe. Essa relação com o livro de Flaubert podia ter sido trabalhada de forma melhor e como consequência disso, há um esforço enorme dos atores, em vão, devido personagens mal trabalhados no roteiro. Essa fuga do que deveria ser o centro da história, faz do filme um pouco cansativo, ainda mais para quem não leu o romance base do longa e não percebe as referências que ele faz. Ainda sim, o longa é divertido e apaixonante pelas imagens, tons e canções apresentadas em tela.

 

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TOM C.P

 

Nota: 6/10

 

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