Crítica: Gata Velha Ainda Mia (2014)

Por Jorge Fernando

 

Há tempos em território tupiniquim, não se ver um entrosamento tão bem construído entre duas atrizes, como foi visto por Regina Duarte e Bárbara Paz em Gata Velha Ainda Mia. Regina, diferente de tudo que já havia feito, traz uma escritora decadente, que está disposta a tudo para voltar à fama com seu novo livro. Já Bárbara Paz consegue atingir o máximo de sua personagem, traçando uma bela linha de representação de uma jornalista em ascensão, que busca na entrevista com a escritora Glória Polk (Duarte), sua promoção na Revista.

O roteiro apresenta um bom alinhamento, garantindo bons diálogos entre as protagonistas, que o desenvolvem com atuações exímias. Com maior destaque para Regina, o papel da escritora Glória Polk tem características muitas vezes densa demais, que são satisfatoriamente desempenhadas pela competência e experiência da então ‘namoradinha do Brasil’. A completude do filme vem com um maravilhoso grand finale  que para muitos é inesperado e totalmente compreensível, elevando ainda mais o nível do filme.

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Dentro de um panorama atual, o filme Gata Velha Ainda Mia aponta características determinantes e vigentes para a sociedade de hoje.  O filme inicia apresentando as protagonistas, Glória Polk (Regina Duarte) e Carol (Bárbara Paz) em um relacionamento aparentemente novo, mas que esconde alguns segredos entre as duas. Nos primeiros minutos do longa as cenas parecem ser construídas a fim de projetar na cabeça do telespectador, a então relação entre a jornalista Carol e sua matéria de destaque, a volta de renomada escritora Polk.

A trama prossegue, revelando a paranoia e obsessão da escritora em relação a ocupar novamente sua posição na mídia brasileira. Sua obsessão também está em retomar o seu lugar com seu ex-marido, que agora é mantido por Carol. A fim de ocupar novamente seu posto, Gloria articula toda uma investigação contra Carol, criando ainda uma traição entre a jornalista e seu suposto amante. Tudo então não passa de uma paranoia da escritora que mistura o seu fracasso, com a impossibilidade de terminar seu último livro. Essa demência é apresentada no último ato, com uma Polk, totalmente destruída e sem traços de sanidade, que deverão servir de base na construção para o novo roteiro do livro seu “Gata velha ainda mia”.

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Com referências muitas vezes estrangeiras, ao que se cabe lembrar ‘O Silêncio dos Inocentes’, ‘Louca Obsessão’ e até mesmo o espetacular ‘O que terá acontecido a Baby Jane’, se faz necessário identificar e exaltar a competência do roteiro, que demonstrou está muito bem alinhado e programado em cada cena, facilitando um belo trabalho na montagem do filme e no desenvolvimento dos personagens. Por fim é de oportuno acrescentar que “Gata velha ainda mia” é um singular representante brasileiro do gênero em questão, que faria qualquer  Hitchcock abrir bem os olhos e apreciar tal obra.

 

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JORGE FERNANDO
JORGE FERNANDO

 

Nota: 8/10

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