Crítica: Férias Frustradas (2015)

Por João Paulo Rodrigues

 

Uma versão meio hibrida de remake/continuação, a nova versão de Férias Frustradas toma um ponto especifico: quando a releitura é uma ferramenta da própria narração: Rusty Grisworld, agora pai de família, vive praticamente uma vida que muitos desejam por um lado: uma linda casa, um trabalho estável, mulher e filhos. Entretanto, ele não se sente completo. E perto de suas férias de verão, ele sente a necessidade de aproximar dos filhos e de sua esposa, Debbie (Christina Applegate). No momento de epifania familiar, ele decide refazer a viagem que seu pai (Chevy Chase) fez 30 anos atrás: Walley World e sua nova montanha russa. E assim como a viagem original, muitas coisas realmente não dão certo.

O que surpreende na nova versão dessa série clássica, ainda dona de um dos melhores filmes natalinos de todos os tempos, é transformar o personagem Rusty mais próximo da realidade de muitas pessoas. A personificação de Ed Helms cai como uma luva já que ele consegue representar a tristeza do homem comum e a necessidade de reviver o passado acreditando que é a melhor coisa do mundo. Talvez possamos até tirar uma conclusão bem interessante de como funciona o cinema atual. Parece que os estúdios não confiam mais em ideias originais ou da dificuldade que gera em atrair um novo público pela qualidade dos seus filmes que a simples ideia de reinventar ou “reciclar” uma ideia clássica é menos assustadora para o produtor, entretanto, não sabe como a plateia vai reagir a tudo isso. Que muitas vezes parece que tudo poderá estar fora de lugar e mesmo dando certo em vários conceitos, alguns ficam perdidos no meio do caminho.

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Férias Frustradas detém um problema grave mas ao mesmo simples de muitas comédias atuais. O problema de ritmo e de distribuição de piadas. Existem momentos que são engraçados e outros que o ritmo do filme não ajuda e a gag falha. Porém são poucos momentos que acontecem isso. Se pode acreditar o fato de que nem todas as gags podem funcionar para todo o tipo de público. Além disso, o trabalho de Christina Applegate é sensacional como a Debbie. Ela por muitos momentos é que resgata um lado de doçura da trama mas ao mesmo tempo, a dona de uma das cenas mais bizarras do todo filme. Além disso, temos algumas participações especiais de alguns comediantes e de um bizarro Chris Hemsworth demonstrando demais … seus dotes.

Talvez a maior virtude de Férias Frustradas é demonstrar que ser nostálgico demais pode sair tão desastroso quanto se imagina. É óbvio que existem piadas geniais e cenas bem sacadas, porém não agrega nada de novo, apenas ratifica o maior problema de Hollywood: o apego passado que afeta a dificuldade de sair algo novo. Helms e o elenco fazem sua parte. As piadas fazem sua parte. Até as referências bem interessantes ao filme original fazem sua parte. Mas assim como uma viagem de família, revisitar passado às vezes é bola fora.

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JOÃO PAULO

 

Nota: 6/10

 

 

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