CRÍTICA: EVERESTE (2015)

EVERESTE (2015)

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Por: Vitinho Barbosa Moraes

Livro: No Ar Rarefeito (Jon Krakaeur, 1997)
Livro: No Ar Rarefeito (Jon Krakaeur, 1997)

SEM SPOILERS!

O filme conta uma história real que aconteceu em 1996, quando três grupos rivais de alpinistas se aventuraram numa escalada com o intuito de atingir o topo do Monte Evereste, que é a montanha mais alta do planeta Terra. São exatos 8.848 metros de altura, quase 9Km acima do solo. Eis que durante a escalada, uma tempestade violenta atinge os alpinistas deixando-os em sérios riscos de vida. Para quem se interessar, eu vou deixar uma segunda fonte preciosa de informações sobre este desastre, que é o livro No Ar Rarefeito, escrito em 1997 por um dos alpinistas sobreviventes, Jon Krakaeur.

Monte Evereste
Monte Evereste

Na direção temos Baltasar Kormákur, que não faz um trabalho ruim, porém, boa parte dos créditos do filme vai para o elenco, onde temos Jason Clark como Rob Hall, um instrutor de alpinismo solidário, destemido e corajoso que sempre leva um grupo de pessoas para escaladas no Monte Evereste. A performance dele é boa e de longe é o personagem de maior peso, pois suas decisões são o que norteiam o filme quase por completo. Também temos a Keira Knightley como Jan Arnold, sua amorosa e dedicada esposa grávida. Ela transmite uma emoção muito genuína em relação ao marido e dá gosto em ver o desempenho da atriz, por mais que suas aparições tenham sido mínimas. Em quesitos interpretativos, a melhor cena é uma em particular em que os dois estão se comunicando e é absolutamente linda e tocante, sem apelar para um melodrama barato. Sei que é um tanto cedo para palpitar, mas se a Keira Knightley for indicada novamente ao Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante, não será injusto. Josh Brolin, Emily Watson, Sam Worthington, e até mesmo Jake Gyllenhaal também estão no filme, dentre vários outros atores.

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De início já posso afirmar que a quantidade exagerada de personagens não contribuiu muito para o desenrolar da história. São muitos personagens. Muitos mesmo. De fato, todos existiram na vida real e estavam no dia do desastre, mas o filme os apresenta de forma apressada e insatisfatória, não permitindo uma proximidade maior deles com o público. De repente, as tragédias já estão acontecendo e ainda é difícil distinguir e identificar quem é quem. E o fato de todos usarem vestimentas volumosas e pesadas a maior parte do filme (os trajes típicos de alpinistas) atrapalha mais ainda. Chega a ser uma árdua tarefa, mas no geral o filme já deixa estabelecido quais os personagens que o público deve focar. Sem contar que o filme tem duas horas e meia. Exatamente. 150 minutos, e nem isso bastou.

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Tecnicamente, o filme é fantástico. A cinematografia é deslumbrante, há paisagens glaciais, montanhosas, planos abertos de câmera mostrando toda a vastidão do local. É interessante, pois tal plano causa certa apreensão no público ao ver tanta magnitude. A trilha sonora é perfeita, serena, tranquila, sensorial, e em contrapartida transmite muito bem a sensação de calmaria antes da tempestade; aquela sensação agonizante de que alguma coisa terrível está para acontecer a cada segundo que passa.

As cenas de ação e tensão são muito bem construídas, ambientadas e dirigidas. Além de o cenário ser completamente palpável e o efeito de profundidade e altura serem reais. Admito que a cena da tempestade me arrepiou por completo. É impossível não se projetar em meio àquela monstruosa nevasca devastadora, considerando a qualidade das imagens, do barulho ensurdecedor e dos efeitos visuais. É a cena mais tensa e provavelmente a mais intrigante do filme.

Como um filme de aventura e sobrevivência em local hostil, é ótimo. Muito bem feito e com um bom elenco e boas atuações, e uma direção mediana, mas Evereste não chega a ser marcante o suficiente e falta um certo peso de relevância, algo que fique na memória mais do que as cenas de tensão. O tempo de duração é longo demais, e poderia ter tranquilamente uns trinta minutos a menos, pois há momentos em que fica cansativo e repetitivo demais. Independentemente disso, o filme tem seu valor de entretenimento e vale o ingresso. O 3-D é completamente dispensável e desnecessário, mas recomendo que seja assistido no cinema.

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VITINHO BARBOSA MORAES

Nota: 7.1

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