Crítica: Durval Discos (2002)

Por Felipe Ramos

 

Anna Muylaert está com tudo. “Que Horas Ela Volta?”, seu novo trabalho como diretora estreia em 27 de agosto em todo o país, o filme vem sendo aclamado em vários países já há alguns meses, recebeu alguns prêmios e está cotado para as principais premiações cinematográficas que devem acontecer no início de 2016. Há um bom tempo que o Brasil não tinha um candidato tão forte para o Oscar de filme estrangeiro. Pode até não vencer, mas a indicação é praticamente certa.

Lembrando disso, me dei conta que ainda estava devendo a sua estreia na direção, Durval Discos, que ganhou 7 Kikitos em Gramado e antes da repercussão do seu atual lançamento era o seu trabalho mais elogiado. A história se passa em 1995 e é ambientada em uma loja de Vinil. Era o momento em que as pessoas estavam abandonando o Vinil e a Fita K-7 e aderindo ao cd, a meia hora inicial dá a entender que vai ser um filme Cult e calcado na nostalgia. O protagonista é Durval (Ary França) que administra o estabelecimento e mora no mesmo local com sua adorável mãe idosa (Etty Fraser). Um belo dia eles decidem que ela está muito velha para os serviços domésticos e resolvem contratar uma empregada doméstica, fazem várias entrevistas, até que chegam em Célia (Letícia Sabatella surpreendente e muito bem caracterizada) que aceita a mixaria oferecida pela dupla.

 

durval_discos_d

Não vale a pena contar o que acontece depois disso, apenas digo que uma criança entra na história, que muda totalmente de rumo e ganha ares de ternura e redescoberta do amor familiar. Achou que ia parar aí? Logo depois tem mais um twist que leva a história para outro patamar e termina de maneira mais surpreendente ainda.

Durval Discos é vários filmes em um só. É drama, comédia, suspense, terror, fantasia… Me admira a firmeza com que a diretora vai mudando de gênero e de direção com muita naturalidade e deixando o espectador cada vez mais preso e aflito pelo término (no bom sentido). Os 20 minutos finais são um passeio psicodélico, um verdadeiro pesadelo filmado, mais claustrofóbico e assustador que qualquer cena que conte com a presença de Freddy Krueger na clássica franquia “A Hora do Pesadelo”.

 

cinetrash
O filme ainda com uma espirituosa participação de Marisa Orth, uma participação afetiva da cantora Rita Lee e uma ótima trilha sonora. Acho que entra no meu Top 10 de nacionais da década passada, uma joia preciosa que demorei a descobrir. A expectativa para “Que Horas Ela Volta?” só aumenta, ainda bem que faltam poucos dias pra poder saciar essa vontade.

___________________________________________________________________________________

11665662_856118051141244_8062368387094128464_n
FELIPE RAMOS

 

Nota: 10/10

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: