Crítica: Donnie Darko (2001)

Por Jorge Fernando

 

Com direção e roteiro de Richard Kelly, o filme carrega inspirações de outros clássicos, como “O iluminado” e “O show de Truman”, quando utiliza de seus elementos técnicos e visuais para justificar a trama desenvolvida pelo então personagem principal Donnie Darko.

Donnie é um jovem problemático que apresenta sua vida e o seus questionamentos quanto adolescente, como sendo os mais relevantes e que precisam de atenção especial. Preocupados com seu comportamento, seus pais determinam que o acompanhamento de uma psiquiatra seja necessário para o desenvolvimento dele nessa fase da vida. O Jovem ainda introspectivo, sem interesse em alimentar amizades que julga ser irrelevantes, encontra em Frank [amigo imaginário fantasiado de coelho], um bom aliado para algumas decisões. Nessa fase Ele já apresenta aspectos de esquizofrenia e que o leva a questionar sobre o fim da existência, ou ao menos do seu pouco tempo de vida.

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Certo de que pode alterar sua vida, por assim acreditar em uma espécie de universos tangente, onde todos os acontecimentos estariam interligados e interdependentes. Donnie tenta buscar através da hipnose uma forma de descobrir respostas sobre o que está acontecendo (elevando a importância do constante ‘olho’ que frequentemente aparece, sendo este o símbolo gnóstico que representa o ‘conhecimento interior’), que fará com que ele construa sua nova realidade e tente quebrar o elo, que acarretaria no seu destino final.

Uma grande analogia é feita com Frank em relação ao coelho de Alice no país das maravilhas, onde o personagem tem a responsabilidade de mostrar o caminho ao então personagem principal, esse caminho será interrompido por Donnie a medida que ele começa a entender que em um universo paralelo, seu destino é traçado a uma trágica conclusão. Decidido a assumir sua morte e poupar outras que de fato aconteceram, Ele  volta ao primeiro dia que encontrou Frank e recebe a morte como recém companheira, personificando uma verdadeira passagem no filme, onde no letreiro do cinema se lia “A última tentação de Cristo”, garantindo assim a imagem de Donnie Darko como um mártir para sua família.

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Donnie Darko é um filme especial, quando aborda problemas do cotidiano e estabelece um panorama sob esses acontecimentos. O filme traz também várias personalidades do personagem principal, que está sempre envolta de uma áurea pesada e que garante a certeza de que está cercado por espectros não muito bons. A trilha sonora foi suficiente para compor o relacionamento da trama com a disposição em que tudo acontecia. Donnie Darko é um verdadeiro e excelente cult, quando em sua composição pode ser encontrado vários aspectos que remontam ou ao menos lembram grandes obras, como é facilmente encontrado em um Kubric.

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JORGE FERNANDO

 

Nota: 9/10

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