Crítica: As Virgens Suicidas (1999)

Por Jorge Fernando 

 

Grata surpresa encontrar ao fim de um filme, o trabalho de um diretor que sabe como utilizar das ferramentas necessárias para sua composição. Não é de se esperar menos, descendente de uma família referência em excelentes produções, Sofia Coppola traz um trabalho no mínimo maduro em relação ao seu pouco tempo de direção. Essa foi à satisfação de experiência a realidade defendida pelos atores, que encontraram em um texto ricamente trabalhado, a facilidade em incorporar personagens altamente cativantes e que se revelam totalmente reais em nosso cotidiano.

Cecília, Lux, Boonie, Therese e Mary são apresentadas como as irmãs Lisbon que estão limitadas pelas mesmas regras, em vários aspectos, assim como qualquer adolescente normal. Seus círculos de convivência estão determinados a ser entre sua casa e escola, mas isso não as impede de querer sair e tentar algo diferente, em especial Lux (Kristen Dunst), que mostra comportamento diferente das demais. No início, Cecília a filha mais nova, é a pessoa mais afetada pela disciplina vigente em casa. Com características depressivas, Cecília demonstra total insatisfação com a vida e busca de alguma forma ter sua atenção, para isso ela utiliza o pior artificio, quando comete o suicídio e deixa ainda mais abalada à família, que já se encontra tomada pelo desânimo. O tempo passa, e a morte de Cecília é tratada na TV local como mais uma estatística crescente no que diz respeito aos índices de suicídios do país.

the vsAs irmãs estão de volta ao convívio, e suas perspectivas de uma vida melhor também. A adolescência e suas fases são fortemente enfrentas pelas irmãs Lisbon, que precisam passar por suas prematuras crises existenciais e encontrar sentido na vida. Bonnie, Therese e Mary estão cada vez mais defendendo seus papéis de adolescentes, que precisam de atenção e de um relacionamento, diferente de Lux que escolhe sua maneira de viver e se tornar o desejo de Trip (Josh Hartnett). Nessa então fase de suas vidas, as irmãs conseguem ter uma nova chance de conhecer algo diferente, mas por transcenderem às regras acabam voltando a estaca zero, alimentando agora o desejo de insatisfação e injustiça. Com suas vidas regidas e totalmente limitadas, as irmãs são levadas as mesmas circunstâncias que Cecília e também ao mesmo destino.

Coppola traz algo bem diferente do já discutido sobre o assunto trabalhado no filme. Traz a perspectiva de cinco adolescente sobre o mundo e suas vidas limitadas sob regras elementares de qualquer adolescente. Essa história é também trabalhada na perspectiva de quatros jovens, que se veem apaixonados pelas então irmãs Lisbon. Esse é talvez o grande acerto do filme, Sofia, diante do roteiro, criou um panorama muito assertivo, ao dar evidência aos outros personagens, quando estes explicam toda a história e suas consequências. O filme tem todas as características de um bom longa, onde a importante trilha sonora utilizada somou com todas as cenas, com evidências claras de uma ótima produção. Tudo parece está em sincronia, alinhando a proposta do filme com a sua execução final, é o que faz deste ser, uma ótima referência para outros filmes com mesma temática.

JORGE FERNANDO
JORGE FERNANDO

 

Nota: 10/10

 

2 comentários em “Crítica: As Virgens Suicidas (1999)

  • 20/10/2015 em 01:33
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    sim Joe Aranha é um trabalho bem primoroso, obrigado por nos visitar e deixar seu comentário, sua opiniao é sempre importante 🙂

  • 07/10/2015 em 06:27
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    Sou encantado por esse trabalho! Me traz uma sensação de psicodelia grande… a história é sensacional. A trilha sonora então… muitíssimo bem selecionada. Tenho a trilha sonora em minha playlist! Filme nota 10! Tudo de bom!

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