Crítica: Aloha (2015)

Por João Paulo Rodrigues 

 

Uma ramificação de críticos levantaram uma proposta bem interessante que é a necessidade de ver filmes ruins ou que foram fracassos/decepções. Além de ser uma experiência bem barata em relação custo-benefício, essa corrente de críticos deixam bem claro que um fracasso ajuda a compreender pontos falhos de um filme nos níveis desde execução até o mal entendimento da mensagem.

Com isso em conta, um dos exemplos mais interessantes para ser trabalhado é Aloha de Cameron Crowe. O filme é literalmente um caos. Entretanto, até mesmo dentro desse caos, se pode ver um céu. Mesmo que seja um céu estranho. O trailer vendeu o filme como uma jornada de redenção e passeios de sentimentos de todos os personagens, principalmente na trinca Emma Stone-Bradley Cooper-Rachel McAdams. E ter ainda como brinde “palavras de sabedoria” de Bill Murray para se transformar no blockbuster feel good. E daí, veio a realidade.

photo-2

O filme tem ponto de partida de um ex-militar (Cooper), que se transformou em uma espécie de consultor para um multimilionário (Murray) que volta para Hawaii para uma construção de aeroporto. Porém o militar começa entrar em conflito quando começa a sair com uma jovem piloto (Stone) e enfrenta alguns dilemas com sua ex-namorada (McAdams) que lhe esconde um segredo.

O filme é tão desinteressante que não consegue gerar uma empatia com os nomes dos personagens. Por 80% do filme, o espectador é testemunha de falta de química entre personagens. Diálogos constrangedores e desinteressantes. Uma luta quase incessante de acreditar que poderá sair algo de qualidade, ou pelo menos algo concreto de tudo aquilo, porém ao avanço do filme, esperanças desaparecem. Além disso, o filme também tenta criar uma trama de conspiração militar que é tão vergonhoso que custa acreditar que o tema é tratado no filme.

Baseado em algumas concepções desses críticos referenciado no começo do texto, os pontos negativos que o filme tem ajudam a que qualquer cineasta cometa erros tão crassos quanto foi cometido por Crowe. O ponto é mais notório que o elenco espetacular não sustenta filme. Se não existe uma harmonia entre o cast e a trama, o que se vê é derrame de potencial para uma trama vazia.

E por consequência por essa falta de harmonia, vem a falta de química entre os protagonistas. É assustador ver em um mesmo ator em dois filmes seguidos ter uma química catastrófica com sua parceira em cena. Cooper e Stone não conseguem acertar o passo e o resto é ladeira abaixo. Além disso, a própria personagem de Emma foi tremendamente mal construída que gera uma vergonha alheia. Quase todo o filme, a única coisa que espectador vibra é a sensação de conclusão. Ao mesmo tempo, vem o alívio que o desastre está chegando ao fim. Porém quando toda a trama principal termina e começa o que poderíamos chamar de epílogo, o filme ganha um tom tão maravilhoso que custa acreditar que belíssimas cenas e algumas atuações são brilhantes, para 10 minutos.

Bradley Cooper, left, and Emma Stone star in Columbia Pictures' "Aloha."

Aloha é um filme bem discutível no que se corresponde a execução desastrosa, ausência de química entre os personagens principais e uma trama tão esquecível que não se dá a mínima durante o filme inteiro. Mas ao mesmo tempo, o desfecho (se poderia até dizer cenas isoladas) detém as cenas mais emocionantes desse ano. Talvez no fim, ter a ruindade diante dos olhos só serve para transformar o espectador não somente em uma pessoa em um espectador melhor, mas também em um crítico ao ponto de saber separar realmente uma obra catastrófica de uma obra que erra o seu alvo.

Conheça um pouco sobre Mim:
JOÃO PAULO

 

Nota: 3/10

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: