CRÍTICA: A ENTIDADE 2 (2015)

Por: Vitinho Barbosa Moraes

 

SEM SPOILERS!

Três pessoas crucificadas e encapuzadas numa enorme plantação de milharal no meio da noite e uma mãozinha de criança ateando fogo nas cruzes, queimando-as como se fossem bruxas, enquanto filma todo o processo com uma câmera. E assim começa A Entidade 2, que para quem já assistiu ao primeiro filme, já deve imaginar que esse primeiro ato se trata de uma das famosas “fitas de morte”. Sim, este também tem. Chocante? Sim. Relevante? Talvez. Inovador? Nem pensar.

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A história nos apresenta Courtney, interpretada pela Shannyn Sossamon, uma mulher que vive atormentada pelo ex marido agressivo e por segurança, os meninos e ela se mudam para uma casa rural (mal-assombrada, é claro) e são vítimas das entidades do local, que mais precisamente são a entidade Bagul (do primeiro filme), uma espécie de espírito sombrio das trevas cabeludo e amedrontador que captura a alma de crianças inocentes após forçá-las a matar toda a família; e seus pequenos pupilos, crianças das quais ele já se apoderou.

A premissa aqui é bem semelhante a do primeiro filme, que ao meu ver é ótimo e muito assustador. Temos as fitas de morte, a casa mal-assombrada, a família, o “bicho-papão”. É a mesma fórmula. Infelizmente, não foi o suficiente, e A Entidade 2 peca miseravelmente nesta sequência. Começando pelas subtramas completamente ilógicas, desnecessárias e sem o menor senso de veracidade ou realidade, como o pai (personagem extremamente artificial) lutando pela guarda dos filhos. Ou quando há uma rivalidade ridícula entre os irmãos por conta de quem está recebendo mais “atenção” dos seres sobrenaturais. Aliás, por algum motivo insano, as crianças dos filmes de terror parecem ter sempre tendência a conversar e fazer “amizade” com fantasmas e criaturas demoníacas. Me pergunto onde está a lógica nisso, ainda mais neste filme, que os garotos estão na faixa dos 13, 14 anos. Será que o público é tão ignorante assim em aceitar e engolir a exposição deste tipo de comportamento completamente anormal das crianças? Não faz sentido.

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Como eu citei previamente, as fitas de morte estão de volta. No primeiro filme funcionou como um excelente recurso para criar uma atmosfera ainda mais tensa e causar ainda mais medo. São vídeos em que vários assassinatos a sangue frio são gravados, e todos estão ligados de alguma forma à entidade Bagul. Mas neste filme, elas não passam de uma tentativa barata de impressionar o público com cenas forte e chocantes, pois a forma como são apresentadas é completamente ilógica e o motivo não convence.

Em questão de medo e sustos, o filme também não funciona. É visível a grande quantidade de peso morto que é posto goela abaixo do público, e isso quebra todo o clima de terror ou qualquer empatia, por menor que seja, que pudesse ser criada, deixando o filme num ritmo letárgico e completamente desinteressante. As cenas que eram para ser supostamente assustadoras, são apenas vários segmentos de jumpscares (todos previsíveis) e a exposição da imagem horripilante do Bagul, que ficou estático durante todo o filme, aparecendo somente para assustar. Como se o medo pudesse ser causado apenas por sua mera presença, e nada mais. Este filme conseguiu também destruir toda a postura e imagem maligna do personagem que foram tão bem construídas no primeiro filme.

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Bagul, inegavelmente assustador

Talvez os únicos pontos positivos sejam as ambientações, como a casa rural, o porão e o milharal, que realmente são locais assustadores e tenebrosos. Há de reconhecer também o esforço da atriz Shannyn Sossamon que apresentou uma atuação natural e dedicada. O melhor momento do filme em questão de atuação foi durante uma cena de um jantar. De resto, os personagens foram um circo de horrores.

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A Entidade 2 é entediante, de mal gosto, tem muito material desperdiçado e não vale a pena o ingresso. É uma das sequências que jamais deveria existir.

VITINHO BARBOSA
VITINHO BARBOSA

 

Nota: 1.5 / 10

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