Crítica: A Dama Dourada (2015)

Por Tom C.P.

 

Baseado em uma incrível história real, A Dama Dourada aborda um assunto sensível, o roubo de obras de arte pelos nazistas na época da Segunda Guerra Mundial. Muitos países tentam consertar as barbarias cometidas naqueles tempos tão ignorantes e cruéis, ainda sim, muito haveria de se restituir. E isso quase ninguém comenta, quase ninguém redime, porque seria admitir um erro que ninguém quer levar a culpa.

Maria Altmann (Helen Mirren) é uma judia refugiada nos Estados Unidos. Ela fugiu da Áustria na época da Segunda Guerra, quando os nazistas saquearam sua casa, fazendo sua família de refém. Na época, o quadro A Dama Dourada (o qual tinha como musa inspiradora sua própria tia) fora levado da casa da família de Altmann pelos soldados de Hitler e mais tarde apropriado pelo governo austríaco. Já idosa, Maria pede ajuda a um inexperiente advogado para conseguir de volta não apenas o quadro, mas a memória de sua família. O advogado em questão é Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), jovem que também tem suas raízes no país de origem de Altman. Schoenberg abre mão de seu promissor trabalho em uma empresa nova e deixa de lado a esposa e os filhos para vencer um caso que redefiniria para sempre os rumos de sua carreira (e de sua vida, afinal o quadro valia milhões). Determinado, o advogado americano parte para Áustria com Altmann em uma missão já considerada perdida, pois o quadro estava para aquele país como a Mona Lisa de da Vinci para a França. Schoenberg e Altmann passam a lutar, então, para que a senhora tivesse de volta o que era de seu direito.

 

PHOTO MOVED IN ADVANCE AND NOT FOR USE - ONLINE OR IN PRINT - BEFORE MARCH 29, 2015. -- An undated handout of Henry Goodman and Tatiana Maslany in the film ÒWoman in GoldÓ with a replica of the Gustav Klimt work ÒPortrait of Adele Bloch-Bauer I,Ó (1907) behind them. Wrestling real art, or some replication of it, into movies and capturing the works convincingly remains a knotty task. (Robert Viglasky/The Weinstein Company via The New York Times) -- NO SALES; FOR EDITORIAL USE ONLY WITH STORY SLUGGED SCREEN ARTWORK ADV29 BY JOHN ANDERSON. ALL OTHER USE PROHIBITED.

 

O diretor Simon Curtis pode até ter experiência com histórias reais, porém, ao contrário de seu charmoso “Sete Dias com Marilyn (2011)”, aqui ele erra o ponto. Apesar do roteiro se comprometer um pouco, fazendo uso de clichés desnecessários (é inegável a comparação com o cativante “Philomena, 2013”), A Dama Dourada ganha o espectador na grandiosidade da história e principalmente na graciosa interpretação de Mirren. As cenas dos flashbacks sobre a vida de Altman são um dos pontos que fazem do filme ainda mais interessante. Ryan Reynolds também faz bonito, só fica difícil se destacar ao lado da talentosíssima colega de cena Helen Mirren, com a qual ele possui uma química incrível.

As decepções ficam a cargo do espanhol Daniel Brühl (Os Edukadores e Adeus, Lenin) e de Katie Holmes. Enquanto o primeiro é um desperdício de talento na história, Holmes chega a causar constrangimento, aceitando uma participação quase como figurante (e ainda atuando mal).

 

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É certo que A Dama Dourada poderia ser melhor. Ainda sim, essa comovente história precisa ser contada ao mundo, não apenas para que justiça seja feita, mas principalmente para que seja construído um manual de como não se deve agir mais. Altmann não queria de volta algo material apenas, o que essa divertida senhora buscava, era uma forma de retorno a quem ela era antes das atrocidades acometidas a ela e sua família. Ela só pretendia rolar a pedra que ofuscava sua visão das boas memórias dos quais ela um dia amou.

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TOM C.P.

 

Nota: 7,5/10

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