Chappie(2015)

Por João Paulo Rodrigues

 

Niell Blomkamp para muitos errou de uma maneira terrível em Chappie. Muitos veem o filme como um festival absurdo de casting, além de ser confuso a sua proposta. No primeiro caso, é impossível não passar a mão encima e dizer que o diretor é integralmente inocente. Já no segundo caso, se torna até uma curiosa falácia graças a uma desastrosa jogada de marketing. De fato, Chappie é um dos filmes mais filosóficos que saiu nos últimos anos e comprovando que Niell olha além do que se imagina.

A história do filme detém uma genialidade que não se pode negar. De cara, o contexto do futuro do filme. Em não ser tão distante, a África do Sul entra em um conflito mais do que profundo contra a violência. Uma empresa privada começa a investir em robôs policiais. A medida é literalmente um sucesso. A sociedade se acomoda e percebe que ao utilizar esse tipo de força, ela se sente segura.

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O criador Deon Wilson começa a desenvolver um tipo de programação no qual os mesmos robôs começam a criar inteligência própria, ou como podemos dizer, desenvolve essa racionalidade para a máquina. Após uma batida policial no qual um dos robôs é danificado, ele vê a oportunidade de testar o protótipo racional. Ao mesmo tempo, uma gangue mal sucedida acredita que roubar um desses robôs seria a oportunidade de salvar-se de um líder do narcotráfico. O criador e o robô se tornam a mercê dessa gangue, mas ao mesmo tempo, essa gangue através da figura feminina de Yolanda ajuda ao robô criar sentimentos. Assim nasce Chappie.

Ao ver esse conceito de história, o espectador já se sente refém de uma má publicidade. Em realidade, o filme é uma jornada quando uma máquina ganha a capacidade de raciocinar e vivenciar a realidade que está ao redor. O que pode jogar em contra o filme é de como a estrutura do roteiro é literalmente básico e que mesmo com esses temas implícitos, o roteiro é bem simples. E talvez piora quando se olha o cast desse filme. O duo Dev Patel e Sharlto Copley entregam a alma em seus papeis, principalmente Copley que prova o quanto é versátil como ator e mais ainda, de como ele tem uma liberdade como ator trabalhando com Niell.

Entretanto, Jackman detém um problema claríssimo: não sabe fazer vilões. Mesmo sabendo que se transformou nos últimos anos, um dos melhores atores do cinema, no qual consegue ter inúmeras facetas, ainda não consegue criar essa ideologia de ser um vilão. Se viu em “A Lista”, filme esquecível até dizer basta com Ewan McGregor e Michelle Williams, sabe o quanto ele é travado para isso. E em Chappie, a mesma coisa. Talvez com a única que faz esse ser um personagem interessante que Jackman está “aussie mode”. Sotaque australiano arrastado, rigby e mullets.

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Apenas comentando por alto, a escalação bem conturbada de Ninja e Yo-Landi é notável. Não existem uma antipatia pelo personagem de Ninja e pelo menos a figura materna que Yo-Landi , o personagem que cria em Chappie é perceptível. Porém, quando Chappie vê um cachorro morto e o Ninja explicando o que é a sobrevivência, é bem interessante e até releva o quanto é conturbado é a escalação dos dois. Já na parte técnica, contemplem um dos diretores mais imaginativos e práticos para cenas de ação e de efeitos visuais que é Niell Blomkamp. Consegue transformar terrenos simples em um cenário ideal para o projeto ideal. As cenas dos robôs atuando com os humanos e a cena de Chappie correndo sobre chamas, prova o quanto o diretor é autoral, que tem pulso e sabe como criar momentos únicos dentro dos seus filmes.

Chappie é daqueles tipos de filme que mesmo com erros visíveis, consegue atingir um ponto chave, a necessidade de refletir de uma maneira mais do que amplia a sociedade que vivemos. É um filme com um teor de ficção científica que não foge da realidade, assim como foi com todos os filmes do diretor. Mas verdade seja dita, sabe aqueles diretores que tem potencial, tem talento e são diamantes brutos, porém necessitam ser polidos por grandes mestres, bem, Niell é um exemplo claro, e a esperança que “Alien 5” seja incrível só depende de como guiam o rapaz.

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JOÃO PAULO
JOÃO PAULO

 

Nota: 6/10

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