ALTERED CARBON (2018) “É DIFÍCIL DIGERIR E PARECE DESPERDIÇAR O GRANDE INVESTIMENTO QUE RECEBEU”

Por Eduardo Tavares

 

Quando observo os magníficos cenários da série “Altered Carbon”, fico imaginando: Nossa! Como deve ter dado trabalho para fazer isso tudo. Realmente, a série oferece o que há de melhor em questão de efeitos visuais e cenografia, que vão encantar muitos fãs de ficção científica, aposto. O nível de detalhe e o quanto todos os elementos futuristas parecem reais, nos fazem crer que tudo aquilo realmente existe.  Os efeitos são dignos de produção para cinema, e a série tem cara de filme hollywoodiano. Mas, geralmente, quando se enfeita muito, é sinal de falta em outros quesitos essenciais.

Seus episódios duram pouco mais de uma hora e contabilizam dez no total. Muita coisa. É quase como ver dez filmes, se parar para pensar. O que seria difícil de maratonar, se a série fosse instigante e tivesse um roteiro menos hermético, mas não é o que acontece. O roteiro de difícil entendimento é o ponto fraco da obra, que não deixa de ser relevante pelo assunto de que trata.

@Divulgação Netflix

Falar sobre uma das questões mais importantes abordadas no cinema, que é o valor da vida e seu propósito, é de extremo valor. A importância dela está na ideia de ser algo finito e que deve ser aproveitado ao máximo, pois acaba. Quando nos deparamos com a realidade de “Altered Carbon”, onde a eternidade é uma realidade, todo o contexto muda.

A obra, baseada no romance de Richard K. Morgan bebe no cinema “noir” e pode ser considerada uma série com estética “cyberpunk”. Esse gênero foi inspirado no cinema “noir”, que retratava uma sociedade corrupta, onde o protagonista, um policial ou detetive, investigava um crime, sempre acompanhado de uma “femme fatale”. O cyberpunk bebe nessa fonte, mas traz um futuro distópico, com realidade semelhante a nossa, mas com tecnologia superior.

@Divulgação Netflix

Em “Altered Carbon” essa mudança de paradigma cria seres humanos quase divinos e muda todo o comportamento da sociedade. Mas como uma boa distopia, ela apresenta realidade semelhante a nossa, onde observamos que a estrutura da pirâmide social é a mesma. Os ricos possuem privilégios e a desigualdade social sustenta o sistema. E é claro, que também existe a resistência, que luta contra o sistema.

Na série acompanhamos o rebelde Takeshi Kovaks, que é posto de volta a vida, anos após sua morte, para solucionar o assassinato de um dos homens mais ricos da época. Tadeshi, originalmente oriental, ao acordar se depara em um corpo de homem caucasiano. Nessa fase no futuro, ele é interpretado pelo conhecido ator de produções ruins, Joel Kinnaman.

@Divulgação Netflix

Depois de fazer o reboot de “Robocop”, o ator sem carisma protagoniza mais um trabalho ruim e sem vida. Talvez a atuação apática venha ao seu favor, uma vez que em um mundo onde a vida perde seu valor, e o personagem é quase obrigado a entrar nessa missão – solucionar um assassinato de alguém pelo qual ele despreza -, pouco entusiasmo seja uma característica marcante e necessária. Para compensar a falta de carísma, o ator desfila gratuitamente nu em muitas cenas. Esse apelo ao nu e ao erotismo, mesmo que usado com a premissa da estética “noir” e decadente, muitas vezes parece desnecessário e apelativo. Isso é perceptível ao longo de toda a série e gera uma cena épica e muito engraçada que mistura luta e nudez, mais ao final.

Mesmo tendo um roteiro carente, que não desenvolve seus personagens bem, os coadjuvantes tem boa atuação. Vale o destaque para Vernon Elliot (Ato Essandoh) e Poe (Chris Conner).

Embora a divulgação tenha sido pesada, a série não entrega um produto comercial e acessível a todos. “Altered Carbon” é difícil de digerir, e parece desperdiçar o grande investimento que recebeu. A NetFlix deveria apostar em ideias inovadoras e melhores roteiros.

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