TRAMA FANTASMA (2017) “OS COGUMELOS COMPETEM JUNTO COM O PÊSSEGO DE CALL ME BY YOUR NAME”

Por Geofry Hanney

 

Trama Fantasma era um filme que estava sendo praticamente lembrado nas premiações somente na categoria de melhor ator, e a de figurino já era uma aposta dada como certa. Porém, na reta final, acabou surpreendendo com 6 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e melhor diretor para Paul Thomas Anderson.

 O longa conta a história do renomado costureiro Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e sua irmã Cyril (Lesley Manville) que estão no centro da moda britânica, vestindo a realeza, estrelas de cinema, herdeiros, socialites, debutantes e damas com o distinto estilo da Casa de Woodcock. Com um histórico de mulheres na sua vida que apenas o despertava inspiração, ele acaba conhecendo uma jovem doce e peculiar que o faz questionar seus sentimentos.

@Trama Fantasma/ Divulgação Universal Pictures

 O filme conta com uma trama de suspense levemente controlada pelo diretor, a fim de que favoreça outras camadas e nuances para o filme como: vazio existencial, sofrimento, glamour, luxúria, manipulação e até um pouco de ‘’bizarrice”, tudo completamente dosado para despertar a curiosidade do público.

O diretor opta por inserir enquadramentos reconfortantes, com o intuito de deixar as imagens com uma certa maciez, para que o roteiro e as interpretações funcionem de forma curiosa, sutil, minimalista. Mas a história não tem nada de minimalista, talvez seja esse o grande desfecho de Trama Fantasma, é um filme que tem muito a dizer através da sua magnitude e da peculiaridade de sua paleta de cores.

@Trama Fantasma/ Divulgação Universal Pictures

 O Daniel Day Lewis, que sempre entra em um hiato de quatro ou cinco anos, ainda consegue absurdamente escolher os seus papéis, e esse certamente é o seu trabalho mais ousado e ao mesmo tempo consolador, em meio a sua vasta habilidade de interpretar um retrato de personagens constantemente perturbados, como em Gangues de Nova York (2002) e Sangue Negro (2007). Mas isso não o impede de sumir novamente no personagem.

 Entretanto, se você pensa que esse é mais um filme do Day Lewis em que voltamos os olhos somente para a sua interpretação, é um tremendo engano. O longa é devidamente carregado pela atuação da Vick Krieps. Uma atriz com um rosto sublime e acobertado, que consegue com tamanho talento dar vida a uma personagem sensível e angelical, que aos poucos vai descamando o seu lado carecedor e doentio. Já a Lesley Manville rouba a cena em todas as tomadas, como uma personagem repulsiva e que tem muito a dizer somente por seus gestos e olhares.

@Trama Fantasma/ Divulgação Universal Pictures

O figurino é completamente deslumbrante em resgatar toda a alta costura daquela época e carrega um leve toque de excentricidade nas cenas em que os personagens se deslocam de um lugar para outro. Conseguimos enxergar a amplitude desses personagens através de suas vestimentas.

 E a trilha sonora serve principalmente para realçar, e de certo modo, pressupor a veracidade dos diálogos de Alma (Vick Krieps), o que acaba favorecendo todo o desfecho da trama e conseguindo perfeitamente dar vida a todo o processo de sabotagem e manipulação, em meio a uma disputa de rivalidade entre o trio principal.

Trama Fantasma não é a trama mais poderosa de Paul Thomas Anderson, mas é um filme conceitual e hipnótico, que quer te fazer pensar, refletir sobre o escuro, o doentio, e te instigar.  Os cogumelos chegaram para dar ‘’olá”, ao pêssego de Call Me By Your Name.

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