TIETA DO AGRESTE (1989)

Por Renato Alves

Tieta do Agreste – Após citar no texto anterior a novela Roque Santeiro – http://www.cinecompipoca.com.br/roque-santeiro/ – eu resolvi escolher outra novela de impacto, sensual, para construir minha análise.

Assim como no romance da trama citada anteriormente, Tieta do Agreste possuía o charme da ambiguidade. Do amor proibido, da sensualidade, do confronto ao padrão familiar conhecido da sociedade brasileira. Aqui a liberdade visual era ainda mais explicita. E o povo……….abraçou a ideia.

A família resolveu encarar Tieta e sua imoralidade de peito aberto. O sucesso foi total. Quase tudo foi aplaudido:

  • da abertura, com passagens pelas ousadas (para a época) cenas de nudez;
  • com tramas de incestos (tia e sobrinho);
  • muita mensagem sublinear a novela;

Baseada em obra de Jorge Amado Tieta do Agreste é memorável e fez assombroso evento de público e crítica. Um autêntico marco de gerações.

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A abertura misturava elementos da natureza com a beleza feminina, representada pela modelo Isadora RibeiroHans Donner e a sua equipe fotografaram o litoral de Mangue Seco, no norte da Bahia.

Com uma riqueza no roteiro e aprofundamento em diversos personagens, que no livro não são construídos de forma tão rica. Exemplo são os quatro cavaleiros do Apocalipse – representam a união de amigos inseparáveis e malucos que temos no Brasil.

José Mayer – Osnar;

Reginaldo Faria – Ascânio Trindade;

Paulo Betti – Timóteo D’Alemberti;

Roberto Bonfim – Amintas Feitosa;

A sensualidade do brasileiro está presente em cada episódio.

A trama da Globo foi tanta que, infelizmente o filme, adaptado de forma poderosa em termos de investimento, não obteve o mesmo sucesso. O público queria a novela no cinema e o fracasso das salas de cinema mostraram que o público gostava de Betty Faria como Tieta e não a também talentosa Sonia Braga.

Não existe como citar Tieta do Agreste sem elogiar, além do ótimo trabalho da protagonista, sem falar da atuação impecável de Joana Fomm – Pérpetua – e a ótima trilha sonora.

Para referenciar as músicas, faço aqui uma citação imperdível: https://www.youtube.com/watch?v=vcTmfOQZe18

A qualidade não está boa…mas, a homenagem é válida.

……..boas lembranças

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Sinopse – A trama começa quando Tieta (Cláudia Ohana) é escorraçada da cidade pelo pai, Zé Esteves. Se sentindo desonrado com o comportamento considerado licencioso de Tieta e influenciado pelas intrigas da sua outra filha, Perpétua. Zé Esteves decide esquecer que Tieta é sua filha, e a expulsa da sua casa. Humilhada, Tieta segue para São Paulo, fugindo do conservadorismo da população de Santana do Agreste, no nordeste brasileiro.

Vinte e cinco anos depois, Tieta (Betty Faria) reaparece em Santana do Agreste, rica e exuberante, decidida a se vingar da família. No dia em que chega na cidade, está sendo rezada uma missa em sua memória e ela interrompe a celebração, desfazendo o mal-entendido. Agora, cortejada por todos, a jovem percebe que nada mudou em Santana do Agreste e que todos continuam hipócritas. A presença dela acaba mudando a rotina dos moradores da cidade. Para chocar mais a família, Tieta aceita se envolver com seu sobrinho, o jovem seminarista Ricardo (Cássio Gabus Mendes), filho da sua rancorosa irmã Perpétua (Joana Fomm). O sonho de Perpétua é que Ricardo se torne padre.

Ascânio (Reginaldo Faria) é um idealista que sonha com o progresso para Santana do Agreste. Contra o progresso está o Capitão Dário (Flávio Galvão), que tenta preservar o meio-ambiente de Santana do Agreste. Apesar das diferenças, Ascânio e Dário, são pessoas boas, mas com diferentes visões sobre o mundo. Para realizar seu sonho de trazer o progresso à Santana do Agreste, Ascânio, como secretário do prefeito Arthur da Tapitanga (Ary Fontoura), tenta facilitar a entrada na cidade do empreendimento de Mirko Stéfano, sem saber que este é uma indústria altamente poluidora, o que poderia acabar com a natureza do local. Mirko Stéfano é na realidade o filho de Arthur da Tapitanga, Arturzinho (Marcos Paulo), que foi embora há muito tempo da cidade e jurou vingança contra o pai pela morte da mãe. Arturzinho se tornou um homem sem escrúpulos e rancoroso, capaz de tudo para conseguir mais dinheiro. Para conseguir o que quer, Arturzinho chega a seduzir a ingênua Tonha (Yoná Magalhães), madrasta e amiga de Tieta, que chega transformada de São Paulo, depois de anos de privações ao lado do marido, Zé Esteves, que morre na metade da trama.

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Ascânio inicia um romance com Leonora (Lídia Brondi), suposta enteada de Tieta, que na realidade é uma prostituta. Quando Ascânio descobre, se afasta dela, a renegando. No final, quando Leonora decide trabalhar e Ascânio percebendo que não pode viver sem ela, o casal reata e termina a novela juntos (diferente do romance de Jorge Amado, onde Ascânio não perdoa Leonora e o casal termina separado).

Imaculada (Luciana Braga) é uma das “rolinhas” do prefeito Arthur da Tapitanga, que oferece para ela abrigo, alfabetização e comida, em troca de favores sexuais. Porém, Imaculada consegue driblar o prefeito. Outra personagem marcante foi Carol (Luíza Tomé), amante do perigoso Modesto Pires (Armando Bógus), um homem capaz de tudo para não perder o seu poder. Carol é apaixonada por Osnar (José Mayer), o grande amor de Tieta. Elisa (Tássia Camargo) é outro destaque da trama: em crise com o marido Timóteo (Paulo Betti), ela tem sonhos românticos com o ator Tarcísio Meira. Elisa chega a preparar um enxoval, planejando um possível encontro com seu ídolo.

Outro grande destaque da trama era a “mulher de branco”, uma assombração que vaga pela cidade e ataca os homens. Por se sentirem enfeitiçados pela misteriosa mulher, eles mantêm segredo sobre a sua identidade. No final descobre-se que a mulher de Branco é Laura (Cláudia Alencar), mulher do Capitão Dário, o que causa uma grave inconsistência na trama, já que em um dos ataques da Mulher de Branco, Laura tinha aparecido em cena no mesmo instante.

Outro mistério de destaque era saber o que Perpétua guardava dentro de uma caixa branca, que ela protegia com todo cuidado, mas não houve a revelação no final da novela, apesar de haver um folclore sobre esse desfecho, afirmando que a caixa continha o órgão genital do falecido marido de Perpétua.

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AUTOR DO TEXTO: 

RENATO ALVES

 

3 comentários em “TIETA DO AGRESTE (1989)

  • 20/09/2017 em 04:18
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    Simplesmente amando a reapresentação!!!

  • 29/05/2017 em 23:55
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    Uma novela que merece ser sempre lembrada !!! Parabéns Renato !!!

  • 28/05/2017 em 01:01
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    Que novela sensacional. Espetacular.

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