STEP SISTERS “MAIS DO MESMO VOCÊ ENCONTRA AQUI”

Por Eduardo Tavares

 

 

Se você achou “A escolha perfeita” um tédio, verá que esse filme é ainda pior. A premissa é a mesma, só que ao invés de fraternidades que participam de  competições de canto, aqui temos a modalidade da dança “steping” junto ao tema de sororidade e preconceito. Esses temas estão muito na moda nos últimos anos e não ganharam apenas espaço na NetFlix, mas também na televisão brasileira. É muito bom, que possamos vê-los no audiovisual, desde que seja de uma forma dígna. Mas isso não ocorreu por aqui.

O título “step sister” faz referência a dança steping e ao mesmo tempo dá o sentido do filme, ao nomear Jamilah, a protagonista, como uma meia irmã. Alguém disposta a ajudar, numa situação difícil, um grupo de meninas bem diferentes das quais ela está acostumada a lidar. Mesmo sendo parte  de uma fraternidade negra, onde o steping é uma tradição, ela treina as meninas brancas, orientada pelo seu chefe, e também, visando uma vaga em Harved caso tudo dê certo. Essa idéia de treiná-las surge como uma alternativa para apagar a imagem manchada da fraternidade após o vazamento de um vídeo constrangedor envolvendo uma das meninas brancas.

@Step Sisters 2017 / Divulgação Netflix

Esse é um filme sofrível de ser assistido em suas quase duas horas de duração. Mas o que mais pesa são os primeiros trinta minutos, onde é exposto o problema – a situação dos personagens, que vomitam estereótipos e preconceitos é nojenta. Toda a acidez e futilidade que transborda nas falas, principalmente das meninas, são de doer. A maneira como o personagem gay, o chefe de Jamilah, é apresentado e a reação dela de nojo às falas dele é no mínimo desrepeitosa, por exemplo. Será que alguém aguenta ainda esse tipo de filme com temática de escola/faculdade com sempre os mesmo tipos de persongens esteriotipados? Faz tempo que não fazem um filme que brinque com esse ambiente fútil e hostíl de forma inteligente, engraçada e icônica. O último que eu me lembro foi “Mean Girls” da talentosa Tina Fey e desde então o “barro” não tem acontecido.

Os idealizadores foram acusados por muitos internautas de fazerem uso de apropriação cultural, ao mostrar na tela a dança steping praticada por meninas brancas. Mas isso é de longe o pior que você encontrará nesse desastre original da NetFlix.

@Step Sisters /Divulgação Netflix

Após os trinta minutos iniciais, depois de quase querer vomitar de nojo de toda a frescura e diálogos sem graça alguma, temos uma grata surpresa: Kevin. O irmão adotado, negro, da abelha rainha branca conhece Jamilha e os dividem diálogos, que intercalam de paquera para implicância. Esses dois tem bastante química e o personagem de Kevin é apaixonante. Esse romance é um alívio aos olhos do espectador saturado de todo o ambiente hostil apresentado antes e das péssimas atuações.

O restante é mais do mesmo: muitos clichés. Grande parte do filme mostra os ensaios das meninas, o que parece mais algo para preencher o tempo. A NetFlix deveria fazer filmes mais curtos e dinâmicos e, principalmente, investir em boas  histórias.

 
 

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