“SHAZAM”: SE CONECTA COM FRESCOR AO ESPÍRITO JUVENIL DAS MELHORES AVENTURAS DA SESSÃO DA TARDE”

POR EDUARDO PEPE

Quase ninguém que não seja fã de HQs de super-heróis conhece com propriedade Shazam, o super-herói atrapalhado com corpo de adulto que, na realidade, é uma criança. Por isso, a aventura solo desse personagem vinha sendo vista com pouca atenção e descrédito. Por isso, “Shazam” pegou a todos de surpresa. É notório que ainda não há nos filmes da DC um universo cinematográfico totalmente organizado; há claros desníveis de qualidade e estilo entre os filmes de super-heróis. Entretanto, justamente o fato de não ter uma “fórmula” ajuda, em contraponto, a trazer filmes fora da curva como esse.

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Uma das maiores críticas em relação aos filmes recentes do universo da DC, como o fraco “Liga da Justiça” (2017) e o controverso “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” (2016), era que os filmes eram sombrios demais e se pretendiam realistas, mas, no entanto, não tinham estofo dramático para dar conta de tal estilo. Pois bem, “Shazam” tem seus momentos de sombras, mas aposta, essencialmente, no humor. O longa, de forma mais geral, se mostra uma aventura juvenil, ou seja, tem muito humor, mas também, claro, é uma saga de herói regada a ação e lições de vida.

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O filme não esconde que é mais um filme de apresentação de super-herói. Muito pelo contrario, ele brinca com isso. E aí reside uma das melhores qualidades do filme: não se levar totalmente à sério. E, melhor ainda, é que o humor se mostra dos mais criativos e espontâneos. A cena do assalto no mercado, por exemplo, já pode ser considerada antológica pela maneira inusitada, mas natural que o recém descoberto herói lida com a situação. É inusitado, porque destoa do que se imagina de um herói impedindo um crime, mas é natural porque se uma criança passasse, de fato, por situação como aquela seria bem parecido com o que o filme mostra. Então brincar com o absurdo da história é um dos grandes trunfos do filme.

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O longa é muito bem filmado. A fotografia é uma das mais caprichadas dentre os filmes recentes do gênero. Há um empenho em dar soluções visuais criativas seja para as cenas de humor quanto para as cenas “sérias”. Esse lado mais dark aparece logo no prólogo do filme, em uma sequência das mais caprichadas do ponto de vista visual, e ressurge em alguns momentos ao longo da projeção. Entretanto, num geral, os efeitos visuais são apenas corretos e as criaturas místicas são um tanto artificias pela própria natureza de seus personagens. Já o vilão, defendido com competência pelo ator Mark Strong, mesmo com um louvável desenvolvimento de suas motivações, não escapa de ser um personagem caricato.

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Por outro lado, todos os outros personagens são todos bem construídos e desenvolvidos de maneira convincente a gerar empatia no espectador. Ajuda e muito o elenco, todo bem escalado. Zachary Levi no papel do super-herói adulto por fora, criança por dentro de fato convence que por detrás do corpaço de homem tem uma criança deslumbrada tentando lidar com toda as novidades. Mas nada é mais encantador que o elenco mirim. Asher Angel está convincente no papel principal, o herói em sua forma original de pré-adolescente, e seus irmãos postiços são todos absolutamente adoráveis, com destaque especial para Jack Dylan Grazer, como Freddy, uma aula de carisma tão forte que quase rouba o filme para si, e Faithe Herman, como Darla, uma gracinha de apenas 10 anos.

Juntando todo o elenco jovem se forma a base de uma família que o protagonista vai demorar a se ligar na sua importância. Claro, que isso vai mudar lá pelas tantas do filme, mas não importa. O longa é daqueles que de tão cativantes os personagens, as sacadas de humor e a efervescência de contar uma história que te conecta com aquele espirito juvenil dos melhores clássicos da sessão da tarde. Ou seja, seduz pelo prazer de acompanhar uma boa história, independente de como ela acaba.

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