ROQUE SANTEIRO

Por Renato Alves 

Revisador do Texto: Andre Leporati

Para falar da história da novela na da televisão brasileira acredito ser impossível ou imoral não citar Roque Santeiro. Talvez, o maior símbolo da importância desses romances a trama do Sinhozinho Malta e Viúva Porcina é o retrato da sociedade brasileira em diversos pontos. Falar de Roque Santeiro é viajar no tempo. Na loucura da Ditadura Militar em que proibiram a exibição da novela, no ano de 1975, no dia de estreia, dia 27 de agosto. Com o veto insano e irracional dos militares a Rede Globo se viu obrigada a exibir uma reprise compacta do grande sucesso Selva de Pedra, de Janete Clair.

Baseando-se na peça de teatro O Berço do Herói, de Dias Gomes, Roque Santeiro foi liberada dez anos depois já no governo de José Sarney e o sucesso foi absoluto.

A trama da novela é o retrato da sociedade brasileira, que dura, em muitos lugares e em diversos conceitos até os dias de hoje:

  • A força dos poderosos coronéis;
  • A necessidade da população em ser dependente da igreja;
  • A construção de mitos, sejam eles reais ou não;
  • As articulações, nefastas e corruptas, entre os líderes da grande massa.

Longe de querer aqui defender ou criticar os argumentos, citados acima, o relevante é refletir sobre esse espelho que a novela, e sua função social nos levam a refletir no espelho igualitário do Brasil, ou não, e suas diferenças nas diversas classes sociais brasileiras.

Se a novela ainda hoje tem força na grande massa da sociedade, ainda que os números demonstrem uma forte queda na atual conjuntura, é inegável que até os anos 2000 a fantasia da telenovela era retrato dos desejos, conceitos, sonhos e dificuldades de nossa coletividade.

Roque Santeiro é minha novela predileta, como historiador digo que é a novela mais importante de nossa biografia.

Não canso de relembrar: os triângulos amorosos, as decepções pessoais, os combates pessoais aos poderosos, a viúva que nunca casou e tantos outros casos que representavam e ainda espelham o Brasil e seu povo.

Roque Santeiro é o Brasil proibido e o Brasil que se libertou das entranhas da ditadura. Porém, Roque Santeiro é o Brasil libertado que ainda sonha,  através de alguns, em voltar a ditadura.

Estou certo ou estou errado?

“Personagens carismáticos, caricatos, cheios de riquezas e contradições. Diálogos construídos no bom humor, na ironia. Tudo isso e muito mais, faz de Asa Branca e Roque Santeiro o maior simbolo da televisão brasileira”

Sinopse – Pensei em resumir a Sinopse da novela. Porém, acredito que seria imoral e até falta de respeito não incluir a sinopse na integra.

A história é ambientada na fictícia cidade Asa Branca, que funciona como microcosmo do Brasil. Há dezessete anos, o coroinha Luís Roque Duarte, conhecido como Roque Santeiro, por esculpir imagens sacras, morreu ao defender os habitantes de Asa Branca dos capangas do perigoso Navalhada, um bandido que havia invadido a cidade. Santificado pelo povo de Asa Branca, que atribui milagres à sua imagem, além de outras pessoas que buscavam até mesmo a sua canonização, Roque Santeiro tornou-se uma lenda e faz a cidade prosperar com sua história de heroísmo. Mas também despertando o interesse de muitos que se aproveitam da lenda para lucrarem. Só que para o desespero dos poderosos de Asa Branca, Roque Santeiro não está morto, e o pior, está voltando para cidade, depois de dezessete anos, ameaçando pôr um fim ao mito.

Os representantes das forças políticas, religiosas e econômicas de Asa Branca se dividem entre os que defendem que a verdade deve ser revelada, e os que querem manter a farsa do mito, porque precisam dele para lucrar. Os que se sentem ameaçados pelo retorno de Roque Santeiro, são o conservador padre Hipólito, o prefeito Florindo Abelha, o comerciante Zé das Medalhas – principal explorador da sua imagem -, e o todo poderoso fazendeiro Sinhozinho Malta, que mantém uma relação com a fogosa e extravagante Porcina, a suposta viúva de Roque Santeiro, e vê seu relacionamento ameaçado com a presença dele em Asa Branca.

Mas, o retorno de Roque à Asa Branca atinge a vida de outra moradora: Mocinha, apaixonada por ele, e que fora sua verdadeira noiva, antes da invasão de Navalhada à cidade. Mocinha nunca se conformou com o desaparecimento dele e se manteve virgem à espera dele, mesmo pensando que ele estivesse morto. Mocinha sente muita raiva e ódio de Porcina, por ela ter sido a suposta esposa de Roque Santeiro. Ela é filha do prefeito Florindo Abelha, e da beata Dona Pombinha.

À frente daqueles que desejam revelar a verdade aos habitantes de Asa Branca está padre Albano, que faz o contraponto com padre Hipólito. E, por meio deste personagem, foi abordado um tema em voga na época. A  divisão da Igreja Católica entre os tradicionalistas e os adeptos da Teologia da Libertação. Progressista, Padre Albano, luta à favor dos trabalhadores de Asa branca e faz de tudo para revelar a verdade ao seus habitantes – de que o mito de Roque Santeiro não passa de uma farsa.

Asa Branca também fica agitada com a chegada de Matilde, amiga de Sinhozinho Malta, que constrói na cidade, o seu único hotel – a Pousada do Sossego –  e traz consigo do Rio de Janeiro, duas sensuais dançarinas – Ninon e Rosaly –  para trabalhar na sua boate Sexus, e enfrentando a oposição do padre Hipólito e das beatas da cidade, comandadas por Dona Pombinha Abelha, a esposa do prefeito Florindo.

Também chega à cidade a equipe de filmagem de Gérson do Valle, o cineasta que vai filmar A Saga de Roque Santeiro. O filme tem como astros principais a atriz Linda Bastos, por quem Gérson é apaixonado, e Roberto Mathias, um mulherengo que acaba por se envolver com Porcina, com Tânia – a contestadora filha de Sinhozinho Malta –  e com Dona Lulu, a reprimida esposa de Zé das Medalhas.

Outro mistério que desperta a curiosidade na população de Asa Branca, é saber: quem é o lobisomem que aparece nas noites de lua cheia atacando as mulheres da cidade? O principal suspeito é o professor Astromar Junqueira pelos seus hábitos um tanto sombrios: ele é apaixonado por Mocinha.


RENATO ALVES

7 comentários em “ROQUE SANTEIRO

  • Pingback: TIETA DO AGRESTE (1989) – Cine com Pipoca

  • 21/05/2017 em 21:54
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    Sempre especial rever esse clássico. Comprei o dvd lançado pela globo.

  • 24/04/2017 em 13:40
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    Quantas saudades tempos de boas novelas e tramas excelente. Vontade de ver novamente.

  • 22/04/2017 em 22:00
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    Trama rica. Deveria ser assim sempre. Voltem novelas boas

  • 21/04/2017 em 13:22
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    Uma novela Épica até para os não apreciadores. Essa sim, valeria a pena ver de novo.

  • 20/04/2017 em 12:40
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    Uma novela inesquecível………vontade de ver de novo. SEMPRE.

  • 20/04/2017 em 08:11
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    de fato, uma novela a ser novamente apreciada !!!

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