REVIEW: OS 13 PORQUÊS- 13 REASONS WHY (2017)

Por Eduardo Tavares

 

A série “Os Treze Porquês” é adaptação do livro homônimo de Jay Asher, popular entre os adolescentes. Também conta com Selena Gomez, que não atua, mas marca presença na produção executiva e na trilha sonora, com uma canção de sua autoria. Ambientada em uma cidadezinha americana, a história se passa em sua maior parte em uma High School, onde Hannah e Clay, as personagens principais, estudam. É revisitado ao espectador todo aquele sistema de castas típico das escolas americanas, onde os esportistas e as animadoras de torcida figuram no topo e todo tipo de pessoas que se diferencia do que é popular sofre bullying. É a partir do relato da experiência de Hannah que a história se desenvolve.

Antes de tirar sua própria vida, ela deixa sete fitas cassetes. Em cada lado das fitas ela deixa um dos porquês de sua tomada de decisão. Os porquês são relacionado a episódios onde certas pessoas de seu convívio a fizeram algum mal. Todos esses relatos são retratados de forma inteligente, sarcástica e as vezes bem humorada pela voz dela. Isso me dá a impressão que a série faz uso do suicídio como uma proposta de vingança. Isso pode ser até interpretado como algo heróico e glamourizado. O que me parece errado, tendo em vista que o problema que os jovens lidam nessa fase muitas vezes tornam essa opção tentadora como fuga da enormidade de problemas que a juventude trás. Mas ao mesmo tempo tratar esse tema, trazer à sociedade a discussão com intuito de ampliar as medidas sociais e educativas para orientar as pessoas sobre o assunto são um ponto positivo.

Já no inicio podemos ver Clay recebendo as treze fitas e revivendo os momentos como um flashback do ano anterior, onde viveu dias incríveis com ela, por quem ele se apaixonou e sente enorme dor com a perda. Os flashbacks são retratados com um aumento da temperatura na fotografia das cenas e geralmente trazem momentos felizes, em contraste a fotografia mais fria dos dias atuais, onde ele está em um estado triste e quase esquizofrênico procurando respostas para o mistério da tragédia de Hannah. Esse recurso, mesmo não sendo tão original, traz uma forma eficaz de criar no espectador empatia pelo protagonista,  pois expressa seus momentos perdidos entre o que é real e o que é ilusão. Como por exemplo, quando ele revisita lugares que esteve com a garota, enquanto é guiado pelos seus relatos e de forma brusca é posto no presente de novo, voltando a realidade fria e crua.

Embora vendida como uma série adolescente e em muitos momentos se apresenta como tal, “Os 13 porquês” tem momentos muito obscuros e difíceis de assistir até para um adulto, como cenas de estupro e a própria cena do suicídio, que é mostrada de forma explícita, quase como um tutorial, bem didático. O que gerou críticas, pois a série atingiu em grande maioria o público jovem.

Outro fator que me tira um pouco o interesse são os estereótipos que podemos ver em todas as séries que trazem como pano de fundo o High School. Se observar bem, existe uma infinidade de séries que são contemporâneas a essa, que basicamente tratam das mesmas coisa. Como, por exemplo “Riverdale”, que também traz mistério e suspense numa trama juvenil. Por coincidência temos o ator Ross Buttler atuando nas duas séries, desempenhando quase o mesmo personagem, o típico garoto popular. Em Riverdale ele é Reggie e em “Os treze porquês” é Zach, um dos motivos de Hannah. Como assisti as duas séries ao mesmo tempo, as vezes misturava os dois mundo, o que não era tão difícil assim.

A série muitas vezes se mostra cansativa e com episódios longo demais, o que faz quase impossível o ato de ver tudo de uma vez, algo que virou costume entre os usuários da Netflix e consumidores de séries em geral. Mas embora seu roteiro seja um pouco arrastado, a série trás bons desempenhos de atores jovens e uma trilha sonora indie bem peculiar, que trás melancolia e frescor aos episódios. Porque alguém bonita, simpática e tão gente boa como Hanna Backer teve que passar por aquilo tudo, sofrendo com o pior de cada ser humano daquele colégio? Será que todos os porquês são realmente justificáveis para se tomar uma decisão tão definitiva? Admito que os últimos porquês são bem tenebrosos, eles vão ficando ao longo dos capítulos, mas em alguns episódios a gente se pergunta: Sério mesmo que isso vale? O que evidencia problemas no roteiro. Se colocarmos todos os porquês junto, fica evidente que alguns são muito piores que outros.

A série mostra que ninguém está imune a depressão e também ao bullying, que provoca o processo de isolamento, que por sua vez torna a depressão mais perigosa. Afinal somos todos seres sociáveis e precisamos de pessoas ao nosso redor para a sobrevivência. A história de Hannah nos serve para ficarmos mais atentos e procurar ser mais solidários e amigos com as pessoas. Ela era maravilhosa e a cada capítulo você se encanta ainda mais por ela e sofre com a sua dor. No fim fica um vazio e um tristeza, o que demonstra que pelo menos a série tem função de sensibilizar o espectador e deixar uma lição forte aos que assistem.

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