REVIEW: FEUD – PRIMEIRA TEMPORADA (2017)

Por Eduardo Tavares

 

“The Feud” tem como pano de fundo os bastidores do filme “O que teria acontecido a Babe Jane”, onde as duas divas, Joan Crowford e Bette Davis travaram um dos maiores conflitos entre atrizes visto na história. Mas fiquem tranquilos, não é mais uma série falando de conflito entre garotas, apenas. Ela consegue ir além e expor um mundo oculto em Hollywood, onde diretores e donos de produtoras dominam e manipulam  atrizes, que, por sua vez, precisam usar de artimanhas as vezes nada morais também para conseguir bons papéis e sobreviver na indústria machista e capitalista, e daí em diante….

A série expõe a podridão que reina por detrás de toda a beleza e magia do cinema do final dos Anos 50 e início dos anos 60. Mas tudo isso com humor, sofisticação e um quê dramático, digno de novela mexicana, mas no bom sentido. Entretêm!

@Divulgação Feud FX

Nos anos 60, as estrelas  mais brilhantes eram jovens, loiras e sensuais, como Marilyn Monroe. Joan e Bette já tinham passado de seus tempos áureos de beleza e fama e estavam numa fase madura da vida, mas ainda persistiam com unhas e dentes por permanecer na indústria para manterem seu alto padrão de vida, lutando por bons papéis. Joan toma conhecimento de um romance chamado “O que teria acontecido a Babe Jane” e tem a brilhante idéia de chamar Davis para interpretar Jane, o que seria um prato cheio para a mídia e renderia muita publicidade, uma vez que as duas eram consideradas inimigas. E a partir daí se dá o enredo da série, que tem inúmeros pontos positivos.

A ambientação de época é primorosa e trás figurinos deslumbrantes e cenários fiéis aos do clássico filme. È interessantíssimo ver da perspectiva do backstage, como era feito toda a magia do cinema e como se dava a relação das pessoas nos set de filmagem.

@Divulgação Feud FX

O roteiro é dinâmico e riquíssimo, cheio de contestação e crítica ao capitalismo e a maneira como a sociedade e, mas especificamente, Hollywood se comportava – ainda se comporta, né? Essa crítica se concentra na competição, que é a maneira como o sistema seleciona e aprimora as pessoas. Em tese as protagonistas são usadas em uma competição de egos que as aprimorar e revela o melhor de suas atuações, embora custasse o bom convívio entre elas e tornasse impossível uma das coisas mais importantes na vida: a amizade..

As protagonistas estão impecáveis, como sempre e conseguem humanizar dois ícones do cinema do século passado, que permanecem vivas até hoje por serem pioneiras e icônicas. A escolha de dois nomes de peso como Susan Sarandon (Davis) e Jessica Lange (Crowford) é primordial para tornar esse embate de gigantes ainda mais interessante. Simplesmente apaixonante!

___________________________________________________________

 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: