SEM FÔLEGO (2017) “APESAR DO FORMATO CONCEITUAL, LONGA SE REVELA COMO UM DELICADO CONTO JUVENIL”

Por Eduardo Pepe

 

Depois de seu maior sucesso, um sofisticado e ultrassensível romance entre duas mulheres “Carol”, o diretor Todd Haynes realizou novamente uma adaptação de um livro, mas, dessa vez, num contexto juvenil. O longa conta, em paralelo, a história de duas crianças que fogem de casa para encontrarem um parente. Em uma trama, uma menina (Millicent Simmonds, dona de olhos expressivos) surda, na década de 20, vai em busca de sua mãe, uma atriz de cinema mudo (interpretada por Julianne Moore). Na outra, um menino (Oakes Fegley), na década de 70, está em busca do pai que nunca conheceu. Ambas as tramas guardam mais semelhanças que aos poucos vão se revelando.

O longa aposta num formato ousado e visualmente encantador. Na parte da menina, como ela é espectadora assídua de cinema mudo, o longa é em preto e branco e só com música, sem falas, como na época do cinema mudo. Na parte do menino, escorrem cores e referencias a década setentista, além dos barulhos ao redor típicos de uma cidade grande como Nova York, onde se passa a maior parte de ambas as tramas.

@Divulgação H2O Films

Apesar desse formato que pode ser considerado “cult” ou mesmo “underground”, o conteúdo e a forma como a trama se desenrola é como um conto juvenil em que crianças têm que superar suas limitações para aprenderem com suas decisões e atitudes. É tudo bem conduzido, sobretudo, pela parte técnica caprichada, comum nos filmes do diretor. Vale se destacar os figurinos, o design de produção, a fotografia e a trilha sonora que colaboram para construir o tom quase de fantasia do filme. A estética é toda construída demarcando tanto as correlações como o contraste entre as épocas.

@Divulgação H2O Films

Em termos de elenco, o longa é todo das crianças, que são convincentes e não fazem feio perto de veteranos, como Michelle Wiliams, em breve participação, e Julianne Moore, que tem papel coadjuvante, mas suficiente para encantar com sua presença em cena. A resolução, detalhadamente explicada no final de maneira visualmente elaborada, assim como determinados trechos dos percursos das crianças, pode não ser totalmente convincente, mas combina com o clima lúdico e delicado da trama.

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