CRÍTICA: ANTES QUE EU VÁ (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Baseado em best seller, drama adolescente se revela acima da média”

 

Não é de hoje que livros adolescentes de sucesso são adaptados para o cinema na tentativa de transformar um fenômeno literário em sucesso de bilheteria. Os resultados são dos mais diversos e tem no meio muito caça-níquel, mas ocasionalmente surge produções dignas, como o caso recente de “Jogos Vorazes” e de “Harry Potter”, talvez o mais famoso e bem-sucedido dentro desse grupo. “Antes que Eu Vá”, baseado no livro homônimo da autora americana Lauren Oliver, não chega a tanto nem possui elementos fantasiosos, mas também não se encaixa no pacote de “romance para chorar”, porque embora haja sua dose romântica não chega a ser o foco.

O exemplo mais próximo talvez seja a recém estourada série da Netflix, “13 Reasons Why”, que também lida com temas como bullying, depressão e suicídio. Entretanto, o ponto de vista aqui não é o da vítima e, sim, dos que praticam o bullying. Samantha (Zoey Deutch, ótima) e seu grupo de amigas são populares e não perdem oportunidade de zoar e aprontar com os colegas mais excluídos. A vida delas segue como de costume até que Samantha se percebe presa em um mesmo looping; toda vez que acorda ela está no mesmo dia com as pessoas fazendo as mesmas coisas e somente ela percebe essa repetição. Cabe assim a personagem entender o que esta acontecendo e reparar os problemas.

@Foto Divulgação

O filme começa com um tom melancólico com uma narração de tom contemplativo deixando claro que uma tragédia estar por vir, mas logo quando a trama começa parece se tratar de um parente próximo de “Bling Ring – A Gangue de Holywood” (2013), que aborda um caso real de jovens adolescentes desnaturados e obcecados por reality shows e artistas pop que invadiam casas de suas celebridades favoritas para pegar algumas de suas roupas, acessórios e viver um pouco da vida de seus ídolos. A semelhança surge porque as protagonistas se mostram basicamente iguais; um grupo de patricinhas sem muita coisa na cabeça que vivem numa bolha de redes sociais, festas e romances superficiais.

Entretanto, o brilho do longa surge ao mostrar que a protagonista ao viver o mesmo dia repetidas vezes, vai passar a questionar sua vida e os modos de agir das pessoas com quem convive. Assim é interessante como o roteiro vai dando assim mais corpo aos personagens e aos poucos se libertando dos estereótipos. Apesar de não ser dos mais surpreendentes, o filme permanece eficiente em manter sua trama de forma contundente sempre apresentando novas perspectivas dos temas que aborda e se revela coeso em sua narrativa finalizando de forma que dialoga perfeitamente com o conteúdo apresentado desde o início do filme, que acaba assim por se mostrar além do banal do gênero.

@Foto Divulgação

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

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