RAFIKI (2018): “MOSTRA UMA CRUEL E DURA REALIDADE EM NÃO PODER SER QUEM VOCÊ É”

Por Alysson Melo

 

Após o sucesso do bem sucedido “Moonlighht: Sob a luz do luar” novas safras do cinema independente e fora do eixo Estados Unidos vem crescendo a cada ano e eis que nos  trazem essa história de um amor em meio a violência, homofobia e tudo numa dura e crua realidade caótica. Rafiki (Amiga) traduzido para o Brasil mostra um amor entre duas jovens adolescentes em meio a crua periferias, onde todo mundo conhece todo mundo, e onde todos sabem da vida de todos, a base da religião evangélica e cultos no templo, onde elas precisam ser quem eles querem que elas sejam.

A história mostra a vida de Kena ((Samantha Mugatsia) uma jovem que mora com a mãe e tem os pais separados, passa seus dias entre cuidar da mãe e trabalhar na loja pai, o atual vereador da cidade que esta concorrendo a uma nova candidatura, ela se diverte com seus amigos e vive nessa pacata vida, tudo muda ao conhecer Ziki (Sheila Munyiva) que desperta em Kena uma curiosidade que ela mesma ainda não entende, conforme os dramas de seu pai formar uma nova família, Kena se vê cada vez mais próxima de Ziki e deixando aflorar assim uma relação proibida de amor e desejo entre elas, em contraponto que seus pais são inimigos políticos.

 

@Rafiki (2018) Foto Divulgação

A direção fica a cargo da diretora Wanuri Kahiu que faz sua estreia em longa metragens, ela que além de dirigir tambem assina no roteiro e mostra uma história bem delicada em meio ao caos de uma cidade que parou no tempo. A cineasta soube muito bem conduzir sua protagonista feminina, e mostrar o relato de forma bem verdadeira e tocante, A diretora que é de origem Queniana, se inspirou no curta “Jambula Tree” (2017) Ugandan para montar esse longa metragem.

O roteiro ele foge dos clichês de filmes de romance com temática lgbtq ao mostrar a dura realidade de uma cidade pequena onde os desejos e a homossexualidade eram reprimidos, se apaixonar por alguém do mesmo sexo era algo horrível e um pecado, todos por volta de uma realidade onde a religião evangélica predomina. o enredo ele é bem atual ao mesmo tempo que se mostra dramático e cruel, também vemos bastante romantismo, delicadeza e amor. O longa possui a maior parte de suas cenas em planos abertos onde alem de vermos toda a crua vida que ali levam, mostra também a beleza em um ambiente repleto de ódio, desamor e crueldade. A trilha sonora traz ótimas canções embalando cada cena, com destaque para a cena de abertura que é a coisa mais linda, destacando também a fotografia, ora escura e fria e ora claras e vivas.

Rafiki é uma história de amor contemporânea onde viver e amar e ser quem você é são proibidos, por volta de uma comunidade que semeia a violência, o ódio, homofobia. Tudo coordenados pela igreja evangélica a trabalhar a não homossexualidade em atos de exorcismos e violência velada. Destaque para o casal protagonista que estão muito bem em cena, sendo crível o sentimento que elas estão sentindo e vemos uma reviravolta nas relações entre pai e filha e mãe e filha e é notável para o expectador que está ali para embarcar nessa história de luta e superação de poder viver sendo você mesma sem ligar para o que os outros irão dizer, porque o amor sempre fala mais alto.

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