PEQUENA GRANDE VIDA (2017) “UMA PREMISSA INTERESSANTE PARA UM FILME PEQUENO”

Por Geofry Hanney

 

 O filme dirigido por Alexander Payne, que já coleciona três indicações ao Oscar de Melhor Diretor e roteiro, tem como premissa a cidade de Omaha, onde as pessoas descobrem a possibilidade de reduzir de tamanho para uma versão minúscula, a fim de terem menos gastos vivendo em pequenas comunidades que se espalham pelo mundo.

 A direção prioriza em ignorar o cinismo dos acontecimentos a fim de que o filme se torne uma sátira não convencional. Por mais que seja um filme com pessoas pequenas, em determinados enquadramentos essa ferramenta não se torna tão eficiente. Porém, a premissa se torna interessante, no modo como ela enfatiza em reduzir a população para resolver vários problemas que estão afetando o planeta em grande proporção.

@Pequena Grande Vida/ Divulgação Paramount Pictures

 Mas ignorar cinismos de história e cinematografia para satirizar, não é algo que funciona sempre. Só a primeira parte acaba caindo naquele velho clichê da mulher abandonando o marido (Kristen Wiig) no último minuto, devido a alguma crise de ansiedade ou outros fatos que incluem excitações sem sentido e falta de explicação para vários momentos, novamente sem sentido.

 O longa é protagonizado pelo Matt Damon, que passa por todo o processo de redução de tamanho e através dele conseguimos enxergar todo esse procedimento. No entanto, o show do filme se torna a coadjuvante Ngoc Lan Tran (Hong Chau), uma ativista vietnamita encolhida pelo governo para ser reduzida contra a sua própria vontade. A interpretação de Chau se torna a relevância mais complexa em meio a tantos alvoroços em que envolvem o filme, com uma carga dramática que transmite ao público: compaixão, força de vontade, lamento, aflição e até um leve alívio cômico.

@Pequena Grande Vida/ Divulgação Paramount Pictures

O trabalho de montagem se torna superficial devido as motivações sem sentido do roteiro. Se Pequena Grande Vida fosse um relógio, ele teria uma engrenagem danificada, com um ponteiro ansioso em se mexer. “Ansiedade “, talvez seja essa a palavra chave do filme. O que acaba deixando-o ainda mais frustrante.

 Pequena Grande Vida é um filme com premissa interessante, que desperta a vontade do público em assistir. Mas assim como os personagens reduzidos, também reduza as suas expectativas. A história precisa ser bem comprada para ser considerada substancial. Além disso, a qualidade do filme acaba fazendo com que Hong Chau perca a sua chance de chegar até o Oscar.

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