O Último Sacramento(2014)

Por Bruno Peralva

 

Com a assinatura de Eli Roth, ”O último sacramento” é filme com o clima de tensão. Pois o filme inteiro quem assiste sabe que tem algo de errado com Eden Parish, uma comunidade afastada onde um líder religioso dar abrigo aos que o mundo esqueceu. O filme é baseado em fatos reais, na tragédia ocorrida em Jonestown, EUA, sobre o suicídio coletivo de 918 pessoas. Foram achadas fitas cassetes com o pedido do chefe religioso para o suicídio.

 

Querendo visitar sua irmã que teve problemas com drogas, o fotógrafo Patrick (Kentucker Audley) resolve ir até o lugar chamado Eden Parish. Dois amigos de trabalho resolvem acompanha-lo para fazer uma matéria sobre o lugar. Chegando ao local, o trio se depara com homens armados e são obrigados a parar de filmar, logo em seguida Caroline (Amy Seimetz), a irmã do Patrick, resolve o mal entendido e acompanha os três. Ela pede para não registrar isso, pois o lugar não tem nada a ver com violência ou qualquer coisa que essa entrada tenha parecido.

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Adentrando, o local parece ser tudo muito bom mesmo, pessoas vivem como se tivessem no século passado. Patrick acompanha a irmã dele e seus colegas Sam (AJ Bowen) e Jake (Joe Swanberg) saem para entrevistar as pessoas que lá vivem. E tudo parece ser incrível, não parece um lugar real. O líder religioso chamado de “Pai” aceita conceder uma entrevista ao anoitecer. Até esse momento tudo parece bom, mas estranho. Os dois atores principais demonstram muito bem o estranhamento e o pressentimento de que tem de haver algo de errado. O Sam que ia entrevistar o líder quer deixar pra descobrir o que há por trás das aparências com ele.

 

Durante a entrevista o Pai consegue ludibriar de uma forma incrível os repórteres, e atuação de Gene Jones é tão sensacional que ele envolve quem assiste ao filme também. Logo após acontece uma festa e quando Sam e Jake estão a sós, uma garotinha traz uma mensagem para eles escrita no papel, “Nos ajude”, a partir daí o clima de tensão eleva ao nível que o filme propõe. Algumas pessoas que estão ali, não querem ficar. Tudo isso resulta no famoso suicídio coletivo que aconteceu em 1978.

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O diretor Ti West faz até um bom trabalho sobre o clima de estranhamento quanto se tudo aquilo era tão perfeito como se dizia, mas quem não souber do que o filme se trata pode se decepcionar com algumas coisas, como a assinatura de Eli Roth. Quando se fala o nome dele todos logo pensam, bastante sangue e torturas físicas, mas nada disso se vê no filme. E a sinopse e o trailer podem sugerir que uma grande surpresa vai acontecer no final do filme, como se fosse daqueles filmes com final surpreendente, mas isso também não ocorre. É um filme baseado em algo que aconteceu de verdade, logo sem surpresas. Mas saber como tudo aconteceu, a trajetória dessa comunidade até o suicídio coletivo é aterrador.

 

E uma coisa que realmente colaborou, como já dito acima, foi a atuação de Gene Jones, o Pai. Quando ele aparecia era tenebroso, o modo dele falar é bem sinistro. A filmagem no estilo found footage e o tom jornalístico inicial dão o tom do “baseado em fatos reais” que o filme precisa.
“O último sacramento” no geral é um filme que não desaponta como um todo, é um suspense interessante de ser visto e a nova geração pode ficar mais por dentro de uma grande tragédia recente.

 

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Bruno Peralva

 

Nota:7/10

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