O SENHOR DAS MOSCAS HIGH TECH

Por João Paulo Rodrigues

O filme começa com uma respiração forte e angustiante. O protagonista olha para o seu redor e se encontra preso em uma gaiola. Uma luz aparece e muitos jovens olham o protagonista com emoções dividias. Alguns olham com pena, outros com desprezo, mas demonstram no olhar algum sentimento e o protagonista sente isso. Quando se abre a gaiola, abre o desespero no jovem e a única coisa e talvez o instinto mais primario responde nesse momento: correr. A correria dura pouco: o jovem cai na grama e percebe na sua frente um muro extremadamente gigante e o mesmo se sentindo mais do que pequeno diante a situação.

The Maze Runner – Correr ou Morrer chegou em uma época no qual as adaptações juvenis de futuros distópicos entraram em um bizarro colapso. Produtores de Jogos Vorazes tentando captar tudo que se imagina de bilheteria, divide a ultima e derradeira parte em dois filmes. Também é se percebe que Divergente repete algo que foi desenvolvido em outras sagas que é elenco de estrelas em uma produção de quinta categoria que no final é um fracasso de critica. É incrivel que mesmo com essa saturação de adaptações que por um lado soa maravilhoso que ainda se pode ser surpreender com esse tipo de filme. The Maze Runner é um bom exemplo disso.

The Maze Runner, 2014

Esqueça grandes elencos atuando de uma maneira tão vergonhosa que se nota em seu semblante que deseja apenas o cheque. Em The Maze Runner o foco está no seu elenco juvenil e sua força para transformar esse mundo em algo crivel para o espectador. Dylan O’Brien, Kaya Scodelario e Will Poulter são os protagonistas da trama. Cada um está sensacional para os personagens que estão encarnando e principalmente Will que na terceira parte da trama, todas as suas cenas são dignas de acompanhar esse rapaz que começou bem humilde em Son of Rambow a voar longe.

O verdadeiro brilho de The Maze Runner não está nos efeitos especiais que estão bem adequados e decentes para esse tipo de projeto (lembrem-se amiginhos, vejam os efeitos digitais da serie Divergente). E sim na ambientação. A ambientação de The Maze Runner em nenhum momento te explica o que está acontecendo. Tudo fica envolvido na questão do mistério e do desconhecido. Todas as cenas que se vê o pessoal entrando o labirinto e saindo sempre envolvem mistério e quando estão dentro, ao invés de sentir excitação, o filme consegue impor o medo ao espectador.

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Outro ponto fundamental que vale a pena comentar é de como o primeiro filme se comporta de uma maneira quase semelhante de O Senhor das Moscas, um clássico da literatura americana. Ao testemunhar jovens que não tem mais um sentimento moral de uma sociedade e criar a sua propria gera dentro da trama momentos que não são somente assustadores, mas também de inteligencia absurda já que captou o mais importante fato do livro: que a crueldade não diferencia idade ou moralidade.

The Maze Runner talvez não vai se transformar memorável como aconteceu com outras franquias do gênero, mas o mesmo filme consegue ser um respiro diferenciado dentro das adaptações por tomar um outro rumo. Um rumo no qual não existe pessoas dotadas ou jogos sádicos para alienar a população. Apenas jovens perdidos em uma ilha e que a sobrevivência falará em primeiro lugar. Pode se dizer que é uma das melhores surpresas e talvez uma bela ilha diante de um mar de obviedades.


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João Paulo Rodrigues

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