O melhor da TV 2015.

Por Cleber Eldridge.

O ano terminou e agora em seus últimos dias, só restam especiais natalinos e retrospectivas, nada mais que isso, contudo o ano que está terminando nos presentou com muita coisa maravilhosa na televisão, não preciso nem comentar sobre o Netflix que está arrasando cada vez mais e mais, enquanto algumas estrearam, outras estão em seu auge e algumas chegaram ao seu fim, vamos então a nossa retrospectiva – aos melhores e piores da televisão.


Mad Men – foram sete temporadas e dez anos de produção, Mad Men se estabeleceu em um canal e marcou uma década, contudo nem todo mundo aprovou a série, fiel à sua proposta, a série chegou ao fim apresentando personagens que passaram pelas transformações sócio-culturais dos anos de 1960. Seu protagonista, Don Draper (Jon Hamm, que ganhou seu merecido prêmio de melhor ator em 2015), é um homem dividido, por um lado egoísta e determinado, ele sabe identificar os anseios do público e transformá-los em breves momentos de felicidade, vendendo-lhes o sonho americano, um negócio rentável que poderia lhe dar a satisfação que todos procuram na vida. Mas dentro dele existe Dick, um sujeito traumatizado e sensível que questiona a toda hora o sentido da vida.


As estreias foram muitas e muitas mesmo, algumas eu infelizmente não tive a chance de conferir como Daredevil, Scream Queens, Jessica Jones entre outras, enquanto outras me deixaram grudados no sofá durante toda sua temporada, infelizmente a melhor série de todos os tempos (Breaking Bad) deixou muitos órfãos, e alguns decidiram assistir Better Call Saul – produção que, antes mesmo de sua estreia, já gerava grandes expectativas por parte de fãs e críticos, a proposta é apresentar a transformação de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) em Saul Goodman, o advogado de Walter (Bryan Cranston) se em Breaking Bad temos a transformação de um homem bom em um criminoso frio e calculista, em Better Call Saul temos, neste primeiro momento, a tentativa de um vigarista de se tornar um homem honesto, a história tem início cerca de seis anos antes da primeira temporada de Breaking Bad. Jimmy é um advogado de porta de cadeia que luta para se estabelecer profissionalmente. Astuto e com boa lábia, ele se esforça para se manter dentro da lei enquanto tenta ganhar dinheiro e cuidar do irmão Chuck (Michael McKean), um advogado renomado que passa por um momento difícil em sua vida.


Sense8
– particularmente a melhor de 2015 foi uma série que chegou discreta e contida na mídia na época de seu lançamento, no entanto, poucos dias depois, tomou conta das redes sociais e das conversas, sem limites para a diversidade sexual, cultural e social, os Wachowskis criaram um universo em que, independente da razão de sua luta ou da grandiosidade de suas habilidades, juntos os 8 protagonistas poderiam alcançar algo muito maior que seus mais loucos devaneios permitiriam. E o episódio que fez com que Sense8 estourasse foi What’s Going On, e não preciso nem citar aquela cena da orgia. Com a construção de uma atmosfera de tensão latente, os Wachowskis e Tom Tykwer alcançaram um patamar único de direção e roteiro, exaltaram os sentimentos dos protagonistas e criaram uma das sequências mais icônicas de 2015: todos os oito cantando What’s Up. Sob um primeiro olhar, pode até parecer uma cena simples. No entanto, em pouco mais de três minutos, dentre várias coisas, nós acompanhamos as emoções de uma lobotomia, a busca de remédios para salvar uma mãe, a decisão de sacrificar pela família, a quebra de intimidade de um relacionamento e o sonho com o amor que não se sentia. Ao fim de What’s Going On, Nomi, Will, Kala, Wolfgang, Riley, Capheus, Sun e Lito representavam cada um um pedacinho de nós mesmos. Assim, não tinha pra onde correr: estávamos fisgados e passamos a celebrar e vibrar cada crescimento vivenciado por eles e a sofrer por suas dores, derrotas e tragédias.

Mr. Robot – o que raios foi aquele primeiro episódio afinal? Por isso, não é exagero dizer que o episódio de estreia de Mr. Robot foi uma das melhores horas na televisão este ano e uma das melhores que já vimos, eu sinceramente espero que ela seja lembrada na temporada de premiações, já neste primeiro momento, ficou claro que estávamos diante de uma série diferenciada que aliava o universo cibernético às complexidades da mente humana em uma trama sombria, extremamente intrigante e bem executada. Com uma ótima abordagem através da visão do protagonista Elliot, o episódio contou com um roteiro inteligente, ágil, original e foi capaz de concluir um arco inicial, deixando lacunas o suficiente para conquistar e instigar o espectador a permanecer na audiência e a sentir-se estimulado a desvendar um complexo quebra-cabeça.

House of Cards – uma das histórias mais fortes dos últimos anos está aqui, ela fria, distante, política e perfeita, foi uma série que estabeleceu sua marca na TV como uma análise fria, sarcástica, dura e realista da política e internacional e atingiu aclamação crítica e de público ao longo de seus dois primeiros anos. A terceira temporada, no entanto, dividiu opiniões. Houve quem amasse, quem achasse normal e quem não gostasse, no entanto, se houve uma unanimidade, foi o arrebatador Chapter 32, que será um dos episódios definidores de House of Cards quando a série acabar, pode não ser o episódio mais chocante, empolgante e tenso da série, mas conseguiu concentrar suas melhores qualidades e alargar uma veia que vinha pulsando desde a segunda temporada: a carga ideológica. Um episódio que soube administrar diversas nuances e, em seu fim, sair do muro, defender uma ideologia através de Claire Underwood, uma personagem até então implacável e realista.

The Leftovers – a série dividiu a opinião pública e a crítica, tornando-se uma produção ‘ame-a ou deixe-a’. Ao retornar para sua segunda temporada, The Leftovers trouxe algumas mudanças criativas as quais permitiram que muitos daqueles que tinham ‘torcido o nariz’ para sua forma de contar história mudassem de opinião. A principal delas foi a de acelerar o ritmo e introduzir mais ação. Apesar destas mudanças, a série não se perdeu, mantendo a complexidade e profundidade dos personagens e da trama, na história, o público acompanha a forma como as pessoas reagem à perda inexplicável de familiares ou amigos em larga escala, depois que 2% da população da Terra desaparece. Três anos após o evento, vivendo em uma sociedade culturalmente diferente daquela que conhecemos hoje, os personagens criam formas de sobreviver ao trauma da perda, à tristeza, às crises de fé e às atividades de cultos religiosos extremistas, em entrevistas, os produtores já disseram que não há intenção de oferecer uma explicação sobre o desaparecimento.

A primeira temporada, os personagens ainda estão em um estado letárgico, o que os torna incapazes de tomar atitudes que possam mudar o rumo de suas vidas. Na tentativa de retomar uma existência normal, dentro de uma sociedade que não compreendem mais, elas se tornam pessoas frustradas e depressivas, que têm dificuldades de aceitar as transformações culturais pelas quais o mundo passou (ou está passando). Ao final da temporada, o caos toma conta do restinho de mundo que elas conhecem, na segunda, esses personagens partem para a ação pois, ao se transferirem para uma cidade que resgata seu passado, e ao tentar se ajustar às regras pré-estabelecidas, eles acabam se tornando os agentes de mudança influenciados pelos traumas vividos no mundo do qual tentam fugir.

http://1.bp.blogspot.com/-X69ViVpf0AI/VP4X3P_TKmI/AAAAAAAAHoQ/7AzEVM-S-OA/s1600/Looking – que particularmente foi a melhor do ano, para quem ainda não sabe, Looking foi cancelada e um telefilme para encerrar a história está a caminho e provavelmente será lançado em 2016.

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