Por Allyson Ramos Camara.

Narcos é uma produção original da Netflix que narra a história verídica de toda a mobilização para capturar ou matar o maior traficante de drogas da história, Pablo Escobar. Disponibilizada no dia 28 de agosto de 2015 fez um sucesso imediato, recebendo diversas indicações a prêmios e críticas favoráveis. A série é uma parceria entre o serviço de streaming e a Gaumont International Television (grupo também responsável por Hemlock Grove e Hannibal).

A criação é da dupla Carlo Bernard e Doug Miro, que estiveram em produções como O príncipe da Pérsia e O aprendiz de feiticeiro em parceria com o experiente em televisão Chris Brancato, produtor de séries como Law & Order: Special Victims Unit e Hannibal. Todos os três trabalham tanto como showrunner como escritores.

A direção é do brasileiro José Padilha (Tropa de elite e Tropa de elite 2: O inimigo agora é outro) que deixou sua assinatura visual perceptível principalmente em cenas de ação, cujo acompanhamos os fatos posicionados logo atrás dos personagens dando a impressão que estamos participando daquela eventual troca de tiros. Também está presente a constante câmera na mão com movimentos rápidos e precisos. Vale mencionar a direção de Fernando Coimbra, do filme nacional O lobo atrás da porta, em alguns episódios.

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José Padilha a Wagner Moura respectivamente em uma locação de Medellín.

A fotografia tem como principal nome o companheiro de longa data de Padilha, Lula Carvalho (Tropas de elite e Robocop – 2014). A parceria chega a ser homogênea e fica difícil separar quem fez o que especificamente, o que resulta em algo único e excepcional. Outros diretores de fotografia envolvidos são Mauricio Vidal (Contra corrente), Carmen Cabana (Bullet), Adrian Teijido (A busca e O palhaço) e Luis David Sansans (Operador de câmera em 007: Contra Spectre e Elysium).

Sobre o cast sobra elogios; Wagner Moura como Pablo Escobar gerou muitas discussões por conta do sotaque ou a falta do sotaque de Medellín que é muito singular na Colômbia, mas sua atuação se sobrepõe e muito essa dificuldade, tanto que o ator foi indicado ao Globo de Ouro por seu desempenho. Os policiais da DEA (Drug Enforcement Administration) Steve Murphy e Javier Peña interpretados por Boyd Holbrook (Jeff de Garota Exemplar) e Pedro Pascal (Oberyn Martell de Game of Thrones) respectivamente são sem dúvidas os destaques junto com o protagonismo de Wagner. A caracterização das personagens é absurdamente bem-feita, comparando imagens das pessoas reais com os atores nota-se a incrível semelhança que fizeram.

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Narcos usa de alguns recursos para contar a história, como narração em off do agente Murphy e usando imagens e reportagens da época dos acontecimentos num tom documental. Além disso trás aquele esquema idêntico ao de Tropa de elite, se inicia em um ponto determinado e volta-se no tempo para mostrar como se chegou aquele acontecimento inicial, dando depois prosseguimento em ordem cronológica.

Uns dos pontos a se observar é a quantidade de violência e brutalidade da série, como a Netflix não tem um limite de idade e é de fácil acesso vale ressaltar essas características, pois não agradará a todos os públicos. A selvageria é justificável, Pablo era feroz, e isso é retratado de forma esplêndida. Por outro lado, os efeitos especiais das mortes deixam a desejar em muitas cenas, transpassando um aspecto artificial.

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Narcos é altamente recomendável, praticamente intocado. Pessoas que gostam de prestigiar talentos nacionais em grandes produções vale a pena dar uma conferida nessa produção, pois está de excelente bom gosto. Fãs de uma boa ação, não deixem de ver essa série, possivelmente será umas das suas favoritas.


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Nota: 9.6/10. (Média: 7.0)

Allyson Ramos Camara

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