Love: Primeira Temporada

Dirigido por Judd Apatow, a série LOVE desmistifica o que conhecemos por comédia romântica. Mickey (Gillian Jacobs) e Gus (Gillian Jacobs) terminaram seus respectivos relacionamentos recentemente, de maneiras distintas. Ela é uma mulher moderna, que sofre de ansiedade e depressão e que enfrenta problemas como o alcoolismo e com o vício em drogas. Ele, um nerd com uma vida bastante comum e sem muitas emoções, que além disso tem dificuldade em se relacionar com as pessoas. Pode até parecer com um retrato da comédia romântica atual, mas LOVE, se diferencia por seu pessimismo e seu humor corrosivo, que não atinge somente os protagonistas, mas todos os personagens. O assistente de set, Jordan Rock, é um exemplo da linguagem da série, com um personagem crítico, que questiona a sociedade atual e a falta de diversidade em Hollywood.

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Com a premissa da busca pelo amor estabelecida, LOVE vai episódio a episódio desconstruindo os estereótipos dos protagonistas. De uma maneira desconfortante, a série escancara o quão destruídos sentimentalmente estão Gus e Mickey, evidenciando um dos males dos relacionamentos do século XXI: a idealização do outro. Às vezes as desventuras desse casal são uma série de lições práticas e que assim constroem o relacionamento normativo que eles possuem. A proposta de LOVE, é falar de amor em suas múltiplas formas, tanto que não apenas nossos protagonistas passam inúmeras cenas dialogando sobre o que é e o que não é amor com terceiros, mas também as cenas claramente querem dizer isso ou ilustrar o amor de alguma forma, afinal estamos aprendendo com os erros de Mickey e Gus desde o primeiro episódio.

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A série representa claramente o sentimento conflituoso que é o amor. Me perdoem o clichê e não desistam de mim, mas, para encontrar-se é necessário perder-se. E o amor é a representação perfeita de como não sabemos o que estamos procurando até encontrarmos. Outro ponto interessante de LOVE é a faixa etária dos nossos personagens, Gus tem 30 anos e Mickey 31, então não estamos lidando com amores juvenis, nem com jovens adultos e muito menos com a solidão característica que é explorada nas pessoas acima dos 35 anos. É uma série que lida com a meia idade em seu ápice. Ela constrói a ideia da infelicidade e os infortúnios com o amor, porém, sem usar recursos platônicos e mostra que no fundo nunca nos cansamos de procurar algo. Gus e Mickey têm suas próprias frustrações profissionais e amorosas e ambos entenderam que, na vida, nem todo mundo consegue ou sequer merece um romance típico de cinema, fica difícil não sentir empatia por pessoas tão reais!

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Justamente pela desconstrução constante de paradigmas, LOVE pode ser perfeita para quem não consegue enxergar nenhuma semelhança nos filmes românticos com a realidade. Pode ser entendida também como, uma desconstrução de como um relacionamento pode evoluir. A série é maravilhosa, acho que faltou apenas um pouco mais de dinamismo entre os episódios, e é claro que no quesito empatia e compreensão da série vai depender exclusivamente das suas próprias experiências em relação ao amor, o que você já viveu e sofreu por causa e por ele.

A primeira temporada apresenta 10 episódios com cerca de 30 minutos cada um; e a segunda temporada, de 12 episódios, garantida pela Netflix, com a estréia prevista para o início 2017.

 

Por: Ana Beatriz Valle

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