JESSICA JONES (2018): SEGUNDA TEMPORADA É MUITO INFERIOR À PRIMEIRA

Por Cadu Costa

 

Quando a primeira temporada de Jessica Jones estreou em 2015 na Netflix, ela tinha pela frente alguns grandes desafios. Inicialmente, precisava mostrar a mesma qualidade de seu colega herói anterior: o Demolidor (2015). Depois, tinha que se apresentar no Universo Cinematográfico Marvel sendo uma total desconhecida para o grande público. Mesmo pra quem já conhecia os personagens, era ainda necessário que o elenco sustentasse toda a gama de drama, mistério e ficção que os envolve. Todos os objetivos foram conseguidos com maestria.

Os superpoderes de Jessica aliado ao clima ‘noir’ de investigações e dramas pessoais criou uma trama muito única para a série. Visto que Demolidor e Jessica se uniriam a Luke Cage (2016) e Punho de Ferro (2017) no seriado Os Defensores (2017), ter essa peculiaridade era muito bem vista aos olhos dos telespectadores.

Existiam alguns poréns, é claro, como uma enrolação da história em 13 episódios quando poderia ter sido em 10. Sem falar na descaracterização da Jessica Jones dos quadrinhos pro streaming. A original bebe como a da Netflix, mas fuma como uma chaminé, fala muito mais palavrões, é muito mais esperta e sim, muito, muito, mas muito mais forte do que o mostrado. Não vou nem falar que um dos seus poderes é o de voar pra não parecer um fã nerd chato.

Ainda, sim, Jessica Jones foi um sucesso e garantiu de cara uma segunda temporada. Sem contar que Jessica foi uma das melhores coisas dos Defensores ano passado.

Marvel’s Jessica Jones @Divulgação NETFLIX

Por conta disso, esta segunda temporada veio recheada de expectativas. A estreia no Dia Internacional da Mulher justificava ainda mais todo o alvoroço em volta de Jessica Jones e cia. Mas, convenhamos…é decepcionante.

Antes de começar, devo avisar sobre os SPOILERS.

Ok, vamos lá. Somos enganados nos primeiros cinco episódios. Coincidentemente os que foram liberados antes para a imprensa numa jogada já conhecida de garantir críticas positivas para o lançamento da temporada. Pois bem, nesses cinco primeiros episódios vemos uma Jessica Jones (Kristen Ritter) tentando se reencontrar após matar Kilgrave (David Tennant) no final da sua última temporada.

Ainda rejeitando a alcunha de heroína, Jessica continua na sua jornada de isolamento que consiste em fotografar casais que traem, beber altas doses de álcool e fazer sexo com desconhecidos.

É aí onde começamos a vislumbrar o vilão da história: seus demônios internos. Sim, não temos um vilão central nesta temporada. Tudo vem na busca por seu passado e a origem dos poderes de Jessica. A ideia foi boa mas muito mal executada.

Jessica na tentativa de se entender, descobre que não adquiriu seus poderes no acidente de carro onde sua família morreu. Ela sofreu experiências ilegais na empresa IGH antes de ser levada ao hospital. A partir daí, tudo vira uma busca incessante por respostas que Jessica nem sabe se quer ter. O problema dessa narrativa é que tudo é mostrado de uma forma muito cansativa, preguiçosa e repleta de decisões estúpidas.

Em determinado momento, Jessica descobre que sua mãe ainda está viva e é a tal ‘vilã’ do seriado. E não somente isso. Ela também sofreu com os mesmos experimentos ilegais e tem os mesmos poderes que ela. A atriz duas vezes indicada ao Oscar, Janet McTeer, interpreta Alissa, a mãe. E a atriz entrega uma personalidade psicótica e problemática com muita propriedade. O lance é a inevitável comparação que sua personagem teria com o inesquecível Kilgrave de David Tennant. Não por menos, o próprio Kilgrave faz uma aparição especial como um dos conflitos internos que Jessica precisa enfrentar.

Marvel’s Jessica Jones @Divulgação NETFLIX

Paralelo a isso, temos a irmã de Jessica, Trish Walker (Rachael Taylor) estragando toda a sua vida por uma inveja inútil e sem sentido. Aliás, Trish tem o pior arco de toda a temporada. Volta a se drogar numa tentativa ridícula de ter superpoderes, se relaciona novamente e irritantemente com Dorothy (Rebecca DeMornay) sua mãe manipuladora, tem briguinhas infantis com Jessica e não entendemos o que ela quer com Malcom (Eka Darville), o assistente de Jessica.

Malcom, aliás é o que tem o melhor crescimento narrativo da série. Ele começa como um simples assistente, mas evolui a sócio e por sequência mostra seu valor como autônomo a Jeri Hogarth (Carrie Anne-Moss).

Jeri também tem um arco interessante onde pudemos rever toda a versatilidade de Carrie Anne-Moss desde sua poderosa Trinity, de Matrix (1999).

Mas, no geral, esta segunda temporada de Jessica Jones peca pela falta de um vilão consistente, uma amarração melhor de seus arcos e pela perda total de identidade da série que após o desfecho de seu ano anterior, tinha tudo pra dar um salto grandioso em direção ao futuro.

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