GREEN BOOK- O GUIA: “ACERTA AO BOTAR DOIS GRANDES ATORES EM PLENA SINTONIA”

Por Eduardo Pepe

 

Pegue a amizade e o embate de diferenças sociais de “Intocáveis” (2011) com a trama e o tema de preconceito racial de “Conduzindo Miss Daisy” (1989) e temos “Green Book – O Guia”. Dois filmes dos mais simpáticos que fizeram grande sucesso ao conseguirem transparecer na tela uma amizade de forma convincente que ultrapassa os tabus da sociedade, o que inclui questões sociais, culturais e raciais. No caso de “Green Book”, a base da trama vem de uma história contada pelo pai do roteirista. A veracidade da história é questionada pelos familiares do pianista negro, o outro personagem chave do filme. No longa, o pianista não se dá muito menos convive com seus familiares.

Verídica ou não, o filme, passado nos anos 60, gira em torno de Tony Lip (Viggo Mortensen), um americano descendente de italiano que arranja uma forma de ganhar uma grana extra como motorista de um músico de jazz, Don Shirley (Mahershala Ali). O problema é que Tony é uma máquina de destilar preconceitos para todos os lados. Para completar, a turnê que ele tem que transportar Don passa por estados dos mais segregacionistas dos Estados Unidos.

@Divulgação Diamond Films

O desenrolar da trama não é dos mais surpreendentes, mas nem por isso deixa de ser interessante de se acompanhar. O acerto do filme se dá, sobretudo, pelas excelentes atuações do elenco, sobretudo, de Viggo Mortensen e Maheshala Ali, ambos com estilos e personagens muito diferentes, mas complementares em cena. Juntos, eles transbordam química e elevam o filme, que também acerta com um roteiro bem ritmado e que consegue tocar em temas sérios de maneira leve. Para ser um grande filme, precisava de mais densidade dramática em alguns pontos cruciais da narrativa.

No lugar disso, temos humor e algum didatismo.  A proposta do filme é mesmo ser um perfeito “feel good movie”, ou seja, aquele filme divertido para ser assistido com a família. E, dentro dessa proposta, o longa é dos mais competentes. E as mais de duas horas de filme passam voando. O mais interessante aqui é tornar o personagem de Viggo dos mais convincentes e verdadeiros. Ele é como aquele tio reacionário que destila ódio e fala barbaridades, mas também demonstra ter, em algum lugar, atrás de camadas de ignorância sentimentos de empatia e bondade.

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