Especial: Entrevista com o diretor do filme brasileiro “Beira Mar”

Por Alysson Melo

 

Entrevista com o diretor do filem Beira-Mar, Filipe Matzembacher. ***

 

O que te motivou a dirigir “Beira-Mar”?
Filipe M. – Nossa principal vontade era conseguir se comunicar de maneira bem direta com a juventude, mas também complexificando ela. A gente tinha muita dificuldade quando era mais jovem de encontrar filmes em que a gente conseguisse se sentir mais representado, levado a sério. Assim, decidimos que nosso primeiro longa-metragem seria construído em cima de cenários e situações familiares para nós, narrando a trajetória de dois jovens que estão amadurecendo, conhecendo mais um do outro e de si mesmos.

Quais foram as inspirações e influências para criar essa história?
Filipe M. – Foram nossas memórias. Passávamos verões e invernos na praia em que o filme foi rodado e escrevemos o roteiro partindo de algumas situações, sentimentos emoções que tínhamos. A partir daí construímos uma narrativa e quando os atores entraram no processo muito deles foi inserido.

O longa possui a temática gay presente no filme, como foi introduzir esse tema de forma que os jovens pudessem se identificar?
Filipe M. – O filme fala sobre amadurecimento. E é importantíssimo que para amadurecermos (e mesmo depois de entrarmos na vida adulta), a gente questione a nossa relação com o sexo, amor e desejo. O filme fala sobre diversos pontos dessa virada na vida e a sexualidade é um deles. Nunca moldamos nossa visão sobre sexualidade para que o filme tivesse uma aceitação maior entre os jovens.

Os atores Mateus Almada e Maurício José Barcellos já eram uma escolha dos produtores ou eles passaram por testes de seleção?
Filipe M. – Mateus descobrimos através de um curta (ele havia trabalhado em dois ou três trabalhos audiovisuais até então), e Maurício no Facebook (ele não tinha experiência prévia com atuação). Ambos foram escolhas claras porque, quando nos encontramos com eles, pareciam muito dispostos a explorar o longo processo de ensaio e a íntima etapa de filmagens, assim como tinham uma sensibilidade emocional muito grande para entender e se comunicar com os personagens.

Como foi a experiência de dirigir seu primeiro longa- metragem?
Filipe M. – Foi muito bacana. Já havíamos dirigido curtas-metragens juntos e sentíamos que poderíamos experimentar o formato mais longo. Ficamos muito, muito felizes com o resultado e com o processo, que tocou a equipe inteira.

Digam para nós do Cine com Pipoca o que o público pode esperar do filme?
Filipe M. – É difícil falar sobre o que podem esperar. Podemos dizer o que vocês não vão ver em Beira-Mar: uma juventude colorida, agitada, cheia de certezas. Nosso filme é o oposto disso, porque a adolescência é uma fase sem formato, sem padrões. O que a gente espera é que o filme chegue ao maior número de jovens.

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