“ENTRE IRMÃS” : ENVOLVENTE, BRENO SILVEIRA FILMA ÉPICO ROMÂNTICO QUE ATRAVESSA O TEMPO COMO NÃO SE FAZ MAIS HOJE EM DIA

O diretor Breno Silveira nunca teve medo do melodrama. Na verdade, ele sempre procurou abraçar o melodrama da melhor forma possível, ou seja, tratando a história com sensibilidade sem retirar o teor lacrimoso dela. E ele sempre foi um exímio contador de histórias que por mais simples e banais que fossem elas sempre soaram interessantes e acessíveis ao espectador, que se conectava fácil a histórias que estavam muito próximas da realidade brasileira. Esses são alguns dos motivos do sucesso da maioria de seus filmes, como “Era Uma Vez” e “Gozanga – De Pai Para Filho”. Assim como ele sempre se preocupou em tirar o melhor de seus atores. “Dois Filhos de Francisco”, por exemplo, não teria nem metade do impacto sem a atuação de Angelo Antônio como o severo, porém afetuoso, pai da dupla sertaneja.

Marjorie Estiano e Letícia Colin: mulheres modernas

  Todos os principais ingredientes do diretor estão em seu novo filme, que se mostra como sua produção mais ambiciosa. Baseado no livro originalmente publicado como “A Costureira e o Cangaceiro”, o romance “Entre Irmãs” da escritora Frances de Pontes Peebles acompanha durante anos duas irmãs, que sempre foram muito unidas, mas por desventuras da vida são separadas no início da fase adulta. Elas acabam vivendo em contextos completamente diferentes, mas não perdem a esperança de se reencontrar.

Romulo Estrela e Gabriel Stauffer: relação de longa data

Passado na década de 30, o longa adquire tons histórico a partir do conflito do governador de Pernambuco com os cangaceiros. Mas diretor dá atenção igual para momentos banais do cotidiano que contribuem para a construção humanizada dos personagens, todos valorizados por belas performances de todo o elenco. Na frente de tudo, estão Marjorie Estiano e Nanda Costa, ambas em momentos superlativos. A construção de suas personagens é delicada e, aos poucos, elas vão se modificando a partir das circunstâncias da vida, porém a essência delas em nenhum momento se perde. Apesar delas movimentarem e intensificarem a trama, há espaço para todos os atores brilharem, como Júlio Machado, que encarna com força e sensibilidade o chefe do cangaço, e Letícia Colin, luminosa como uma mulher à frente de sua época.

Vale destacar a grandiosa produção, com cenários e figurinos minuciosamente construídos para se adequar a época. Porém nada chama mais atenção que a belíssima fotografia que realça as belezas naturais do sertão nordestino e consegue quase que medir a temperatura do ambiente. Na luz da manhã, as cores são quentes e se ver a secura da região e o suor nos atores. Já a noite, tudo é mais sombrio com cores azuladas e mais frias. Vale destacar também a trilha sonora que no tom certo consegue marcar presença sem muitos excessos.

Júlio Machado: cangaceiro multi dimencional

A competência de Breno Silveira em contas boas histórias se atesta no equilíbrio do ritmo e da construção de personagens. Uma edição maior poderia deixar o filme parecer picotado e uma menor poderia prejudicar muito o ritmo da narrativa. Nesse sentido, as mais de duas horas de filme acabam soando justificadas devido ao volume de acontecimentos constantes que rondam a vida das duas irmãs.  Ainda que convencional, o longa não chega a soar antiquado porque se conecta a atualidade com temas universais e demonstra maturidade na abordagem do amor e da sexualidade. A trama, no fim das contas, relembra de épicos românticos clássicos, como “Entre Dois Amores” e “O Paciente Inglês”. Filmes como esses, sofisticados romances adultos, são incomuns nos dias de hoje e a raridade deles só valoriza um produto bem acabado como esse “Entre Irmãs”.

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